
O que significa um abraço? Carinho, respeito, apoio. Na música, o melhor lugar do mundo. Abraço é acolhimento, é dizer que estou contigo.
Quando marmanjos da Polícia Militar de São Paulo recebem um presidiário com abraço é de camaradagem que eles estão falando. É do quanto eles confiam no preso, colega que até ontem estava ao lado deles. O que muda é que agora eles sabem que se trata de um homem que matou a esposa e forjou uma cena de suicídio, com direito a chorar sentado no chão do corredor do prédio. É bem provável que muitos dos que o receberam conheciam também a vítima, Gisele. Eles preferiram se solidarizar com o preso a sentir a morte dela. Porque quem abraça o agressor, vira as costas para a vítima. Não dá para servir a todos.
A "brotheragem" neste caso teve participação feminina. Três mulheres, também policiais, foram ao apartamento do casal após o crime. Experientes, como se espera que sejam, entenderam que mexeram em uma cena que deveria ser investigada. Mas não se espera pudor dessas pessoas, não é mesmo? Até porque a corregedoria da PM paulista, após investigar, disse que a ida delas foi ato de humanidade. Que elas limparam o local para proteger a família dela daquela cena terrível.
O tenente-coronel-feminicida pensou que poderia fraudar tudo e enganar a todos, mas já não conseguia esconder seu machismo e dominação agressiva. Nas mensagens que agora vieram à tona, o macho alfa se via e autointitulava como rei, e ainda queria ditar as regras do que uma mulher faz ou não. Quando ela reagiu, foi tarde demais para se desvencilhar dessa relação mortal.
Esse discurso autoritário, definindo a mulher como “fêmea, beta e submissa, como toda mulher casada deve ser”, não é uma frase criada por ele, muito menos algo particular. É um pensamento entranhado em pessoas como ele e disseminado em relações e em redes sociais, como se mulheres precisassem ser confrontadas porque estão tomando lugares que esses homens pensam que são deles por direito. É uma frase de sinal, junto com o controle das roupas e de quem ela poderia cumprimentar com abraços e beijos. Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido, dizia o corajoso Geraldo. Pois lugar de assassino, Geraldo, é na prisão.
Não é de se estranhar que ele usasse de sua posição para assediar mulheres de patentes mais baixas. A denúncia do Ministério Público de São Paulo expôs mais essa. Ele interferia em escalas, transferências e funções a seu bel prazer. Um clássico. Geraldo gabaritou os requisitos de macho alfa que não sabe respeitar mulheres e que se acha superior, mas que não passa de um criminoso desprezível que deveria mofar na cadeia.




