
Não precisou mais do que uma primeira fala do escolhido de Gilberto Kassab para Eduardo Leite ter razão na avaliação que fez. Ronaldo Caiado, agora pré-candidato à presidência da República pelo PSD, começou dizendo que é possível desarmar a polarização. Na sequência, porém, prometeu anistia ampla, geral e irrestrita, citando inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro, que seria beneficiado com a medida – que precisa ser aprovada pelo Congresso.
Caiado assume um discurso fácil da direita de que a anistia pacificaria o país. Ao mesmo tempo, critica Flávio Bolsonaro pelo que considera falta de experiência no Executivo, e Lula, cutucando no momento sensível para a economia brasileira.
Essa rápida exposição já dá motivos para Eduardo Leite usar o bordão “eu avisei” que a polarização, ou até a radicalização, não serão vencidas pelo seu partido. Ao contrário, serão alimentadas. Leite, magoado pela decisão de Kassab, esqueceu até mesmo de cumprimentar Caiado, mas fez a avaliação correta sobre os rumos da eleição. A política no Brasil tem mesmo odiado a moderação.


