
Um grupo de onze sempre tem diferentes perfis. Seja onze amigos, familiares ou um time de futebol. Tem o tímido, o gritão, o falastrão, o que sabe de tudo mas fica quieto, o metido a popstar, o mão de vaca, o desorganizado. Sempre tem. Não seria diferente nos onze ministros que formam o plenário do Supremo Tribunal Federal.
Entre eles também há estilos distintos. Alguns mais discretos, outros mais expansivos. Há quem fale muito e há quem prefira ouvir. Há os que cultivam uma postura mais técnica e os que parecem gostar mais dos holofotes. A diversidade de temperamentos é inevitável e, em certa medida, até saudável em qualquer colegiado. Mas há características que não deveriam variar.
Quem ocupa uma cadeira na mais alta corte do país precisa carregar consigo alguns requisitos básicos. Lisura, credibilidade e responsabilidade. Não é pouca coisa. Ali estão pessoas com poder de decidir sobre a liberdade, os direitos e, muitas vezes, o destino político e institucional do Brasil.
Por isso, mais do que brilhantismo retórico ou declarações fortes, espera-se sobriedade. Mais do que frases de efeito, espera-se equilíbrio. Mais do que protagonismo, espera-se compromisso com a Constituição.
Nesta semana, uma pesquisa mostrou que a confiança da população no Supremo Tribunal Federal chegou ao pior nível já registrado. Não é um dado trivial. Tribunais não têm tropas, não têm votos, ficam anos a fio na posição, sem questionamentos. O que sustenta a Justiça é, sobretudo, a confiança pública. Quando essa confiança se esgarça, o problema deixa de ser apenas de imagem. Passa a ser institucional.
É claro que decisões judiciais sempre desagradam alguém. Isso faz parte do jogo democrático. Um tribunal constitucional existe justamente para arbitrar conflitos difíceis. Mas há uma diferença grande entre desagradar por uma decisão e perder legitimidade diante da sociedade. O respeito às instituições não nasce de decretos nem de discursos. Ele é construído lentamente pela postura de quem as representa.
Ministros do Supremo não são celebridades, comentaristas políticos ou líderes partidários. Pelo menos não deveriam ser. São juízes da última instância da República.
Talvez o ministro ideal não seja o mais midiático nem o mais barulhento da mesa. Talvez seja aquele que entende que, no cargo que ocupa, cada palavra pesa e cada gesto tem consequências. Num país já tão dividido, sobram vozes. O que falta, muitas vezes, é exatamente aquilo que deveria ser a marca de um juiz. Discrição, prudência e senso de responsabilidade com a instituição que representa.

