
O procurador-geral de justiça do estado decidiu por desarquivar o caso Herick. O homem de 29 anos foi morto em ação da Brigada Militar em setembro de 2025, em Porto Alegre.
A investigação apontou que os tiros dados pelo brigadiano foram em legítima defesa. O Ministério Público entendeu da mesma forma e pediu o arquivamento do caso. Na última semana, por decisão da juíza Anna Schuh, o pedido de revisão do arquivamento foi para a mesa do chefe do MP do RS, Alexandre Saltz.
Saltz recebeu os pais de Herick nesta quinta-feira (15) e avisou pessoalmente sobre a decisão. O caso voltará agora a tramitar na 7ª Promotoria do Júri de Porto Alegre.
— O procurador-geral pediu diligências complementares, o que é natural do processo. Ainda tem uma etapa para ser percorrida para ter o contexto geral. Quanto a isso, não há o que se discutir — afirmou Claudio dos Santos Feoli, comandante-geral da Brigada Militar, em entrevista à Rádio Gaúcha.
Relembre o caso
Herick Cristian da Silva Vargas foi morto no dia 15 de setembro, dentro de casa, no bairro Parque Santa Fé, na zona norte de Porto Alegre. A família acionou a Brigada Militar durante um surto do jovem, que fazia tratamento psiquiátrico e teve uma recaída com uso de drogas.
Imagens da câmera corporal de um dos policiais, divulgadas pela família de Herick, mostraram a dinâmica da abordagem. As gravações mostram que, já dentro do imóvel da família, os policiais conversam por cerca de dois minutos e pedem que Herick permaneça sentado. Em seguida, o homem se levanta, questiona sobre a arma e fala para o policial:
— Atira em mim, atira em mim.
O homem é atingido por uma arma de choque e cai no chão. A mãe e a irmã tentam segurá-lo, mas os agentes pedem que elas se afastem. Logo depois, ocorrem os disparos com arma de fogo.
Após os tiros, a mãe desabafa:
— A gente chamou vocês pra ajudar, não pra matar meu filho.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou minutos depois, mas Herick morreu em casa.


