
Estou cada vez mais convencida de que a prevenção de feminicídios no Rio Grande do Sul passa pelo uso de tornozeleira nos agressores. A decisão é sempre do Judiciário, mas pode ser provocada por Ministério Público e Polícia Civil. Se um homem é potencial agressor e ameaça uma vítima, essa é uma forma efetiva de evitar novos ataques. O que comprova essa tese é que os homens monitorados em 2025 não conseguiram agredir as mulheres. Se tentaram, foram impedidos pela triangulação entre tornozeleira, celular que fica com a vítima e o aviso que chega à Polícia.
Em entrevista ao Gaúcha Atualidade nesta manhã, a secretária-adjunta de Segurança do Estado, Adriana Regina da Costa, disse que 1.528 casos foram monitorados, sem intercorrências, em 2025. O gargalo hoje é a logística para que os equipamentos cheguem às cidades mais afastadas da Capital. Não é somente deixar uma tornozeleira pronta, mas tem todo o trâmite de uso, colocação e monitoramento.
O programa ouviu também a psicóloga Nádia Bisch, doutora em ciências da saúde, diretora do Núcleo Lótus e vítima de tentativa de feminicídio. Uma das reflexões que propõe é sobre o comportamento dos homens. A educação deles é a chave para, no futuro, virarmos o jogo. As medidas de punição são necessárias imediatamente, mas para prevenirmos, o desafio é maior.
— A primeira coisa que a gente precisa pensar é que um relacionamento abusivo, ele não começa com violência, ele começa com encantamento, com insistência. Então, essa mulher, ela vai naturalizando alguns comportamentos que são de controle, de posse, como demonstração de afeto e vai se adaptando a esses comportamentos — destacou.
— O homem que comete violência não tem um problema de saúde mental, não é saúde emocional, é machismo, é estrutural. Então, ele vai precisar de auxílio e acompanhamento para aprender a desconstruir o que ele aprendeu durante a vida dele sobre ser um homem.






