
Liane, Kelly, Keslem, Mirnes, Marina, Paola, Rittiely, Franciele, Carla, Cintia, Erica, Raíssa, Caroline, Simone, Jane, Juliana, Patrícia, Leobaldina, Zilma, Maria Eduarda, Lidiani, Luciane, Ângela, Eleci, Kauany, Tatiane, Laís, Juliana, Yasmin, Eduarda, Marcia, Giuliane, Sheila, Brasília, Kauanne, Rita, Ketlyn, Simone, Margarete, Alanys, Tayla, Amanda, Joseane, Nathiele, Sandra, Luana, Katiele.
Não são nomes aleatórios. Essas são algumas das 74 mulheres mortas no Rio Grande do Sul por homens nos quais confiavam e que amaram em algum momento. Todas são mulheres que deixaram mães, pais, filhos, amigos. Eram queridas por alguém. Eram o amor de alguém.
O número de pedidos de socorro é um abismo. Quarenta mil, de janeiro a outubro, somente aqui no Estado. Vítimas de violência doméstica têm mil motivos para também não denunciar nem pedir ajuda. Vivem sob supervisão do seu agressor, têm medo, não conseguem se desvencilhar, não têm para onde ir, não conseguem brecha para fugir, ficam com vergonha, querem proteger os filhos. Logo, esses 40 mil chamados são muito menos do que a realidade das mulheres.
Mais do que falar sobre o combate à violência contra a mulher, precisamos agir. O governo do Estado lançou uma campanha nessa semana focada em chamar atenção para o tema. Tudo que for feito é louvável para salvar vidas. Especialmente em uma semana em que vimos uma mulher ser atropelada e ter as pernas amputadas em São Paulo. Em um ano em que um único feriado contou 10 feminicídios por aqui. Qual é o nosso limite? Quando conseguiremos agir por um basta? Até quando vamos ouvir e nos emocionar, mas somente contabilizar?
Essa pauta precisa ser minha, mas também tua. Das mulheres e homens. Dos pais e mães de meninas, mas principalmente de meninos. Das figuras públicas. Das anônimas. Das religiões, grupos de jovens, cultos e missas. Precisa ser tema dos homens que escalam montanhas e dos que ainda não lavam a louça nem as suas próprias roupas, mas querem mandar no que a mulher veste.
Homens precisam se tratar antes de fazer mal a alguém. Precisam aprender a aceitar um não e o término de um relacionamento, porque a vida não é esse mundinho em que mandam e desmandam. Precisam ter vergonha na cara e reconhecer seus limites. Precisam não se esconder na sua covardia e a respeitar relacionamentos e pessoas. Parece tão simples, mas as mil camadas dessa discussão não podem ficar restritas nem debaixo do tapete. Os sinais precisam ser percebidos. Temos que meter a colher, senão vamos seguir andando a passos lentos e chorando no caixão das nossas amigas, mães, irmãs e filhas.





