
O comandante da Brigada Militar, Cláudio Feoli, lamentou hoje o desfecho do caso Herick Vargas, de 29 anos, que morreu em uma ação policial que deveria contê-lo. Ao repórter Guilherme Milman, da Rádio Gaúcha, Feoli disse que ninguém gostaria do resultado que ocorreu, mas que houve falhas de diversos envolvidos, incluindo da família da vítima. O comandante se refere ao atendimento adequado a alguém com esquizofrenia e sob efeito de drogas.
Feoli afirma que o Inquérito Policial Militar foi encerrado, assim como a investigação da Polícia Civil, apontando que o caso foi de legítima defesa. Segundo ele, um dos policiais estava perto da sacada, o que representaria risco à sua vida.
— Poderíamos estar falando de duas mortes (de policiais) — afirmou.
O tema voltou à discussão após a divulgação de imagens das câmeras corporais, que ficam no uniforme dos policiais militares. Antes da chegada ao local, os dois policiais falavam que precisariam “fritar” Herick. Depois da ocorrência, que terminou com a morte do homem em surto, os dois policiais riram, já dentro da viatura, dizendo que só pegam ocorrência “ladaia”. Sobre isso, Feoli afirma que a corporação está avaliando se houve transgressão da disciplina. Isso quer dizer que os dois poderiam ser punidos administrativamente se a Brigada entender que ocorreu deslize ético. A suspensão poderia ser de um ou dois dias.
De acordo com o comandante, a arma de choque utilizada algumas vezes não teve efeito em razão da quantidade de cocaína consumida por Herick. Questionei se um tiro na perna não resolveria, se era mesmo preciso atirar no tronco. A resposta foi que "a história do tiro na perna é muito bonita em filmes", mas que a polícia, quando usa arma, é orientada a atirar no tronco. Feoli ponderou ainda que "é muito difícil atirar na perna e que isso não significa que a pessoa não vá morrer também".





