
A notícia surgiu no final da noite da sexta (7), durante a partida de João Fonseca contra Casper Ruud em Montreal. Bia Haddad Maia, em um vídeo publicado em suas redes sociais, disse que "não jogará mais este ano".
— Decisão que venho mentalmente enfrentando há alguns meses. Não tem sido fácil a minha relação com o tênis — disse a ex-top 10 do ranking mundial e segunda melhor jogadora brasileira em simples, após Maria Esther Bueno.
E a decisão não está ligada aos resultados, que desde setembro do ano passado, quando ela também optou por fazer pausa, não estão ocorrendo.
Qualquer pessoa do circuito, seja ela jogador ou tenista diz que Bia é uma das mais talentosas jogadoras de sua geração. Mas então qual o problema?
Bom, não existe uma resposta certa. Não se tem fórmula que a recoloque em quadra no mais alto nível, como já ocorreu. E aí sim, a resposta é uma só: apenas Bia pode resolver.
Mas a resolução não é simples. Não é acordar e dizer: "amanhã vou voltar a ser como era". No caso de Bia e tantos outros atletas está algo mais profundo e complexo: a mente humana.
Para muitos, parar é a alternativa. Para outros, pausa. Alguns resolvem seguir e enfrentar. Só o que não pode ocorrer é julgamento público sobre a decisão.
E aqui não falo só sobre a Bia, tema da coluna. Aliás já tratei do assunto saúde mental em outras oportunidades aqui. Simone Biles e Naomi Osaka já deram esse grito, assim como Rebeca Andrade e tantos outros atletas.
Sem "tacar hate"
Como bem disse João Fonseca, na mesma noite em que Bia fez o anúncio:
— Vamos parar de 'tacar hate' e acolher os brasileiros que a gente tem.
A fala vai além de Bia, ela serve também para ele mesmo, que volta e meia se vê alvo de críticas, como se fosse obrigado a sempre vencer.
As carreiras de Rubens Barrichello e Felipe Massa na Fórmula-1 também sofreram com isso. No futebol, os "novos Maradonas" ou "futuros Pelés" passaram décadas carregando esse peso. E nesses períodos não se falava em saúde mental, tema que sofre muito preconceito até hoje.
Imagino que você aí, que está lendo pode pensar: "e o que tu entende de saúde mental?".
Como resposta posso dizer que não sou psicólogo, psiquiatra ou psicanalista. Mas, como alguém que milita no esporte há mais de três décadas e que na vida privada já enfrentou casos graves de saúde mental, com pessoas muito próximas, e que também fez análise por um tempo e fez algumas mudanças na carreira por conta disso, é que devemos apoiar e não julgar.
Em uma época onde a expressão "mimimi" surgiu com força por conta do aparecimento de algumas pessoas que parecem estar de volta à Idade Média, falar sobre ainda soa como algo vergonhoso, mas não é.
Deixem a Bia em paz.



