
Março de 2012. Escalado pela Rádio Gaúcha viajei até Aracaju, para acompanhar a estreia do Grêmio na Copa do Brasil, contra o River Plate.
Antes da viagem para a capital sergipana ao lado do saudoso narrador Marco Antônio Pereira, meu objetivo era organizar uma entrevista com a técnica da seleção brasileira de ginástica rítmica, afinal Aracaju é a base oficial do centro de treinamentos da equipe.
Viagem marcada e entrevista agendada. Era chegar a Aracaju e na véspera da partida ir ao encontro de Camila Ferezin, que um ano antes havia assumido a seleção. Curiosamente era o mesmo período em que eu estava à frente do Gaúcha Olímpica, programa que apresento aos sábados na Rádio Gaúcha e no canal de Gaúcha Esportes no Youtube.
A entrevista durou cerca de 20 minutos e a ex-ginasta, que já havia comandado a equipe nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em 2011, apresentou alguns de seus planos.
Ferezin tinha por objetivo inicial aproximar o Brasil do grupo das melhores e, de forma ousada, se colocar entre as cinco potências. Naquele momento, a equipe era a 26ª do mundo.
E como fazer? Ainda lembro da resposta: "Trabalhar e organizar rotinas, realizar alguns intercâmbios com as melhores escolas, buscar conhecimento para evoluir. Ter uma seleção permanente treinando em Aracaju", o que significava uma grande mudança na vida de quem estivesse no projeto, afinal todas teriam que morar em Sergipe.
A vaga em Londres não veio. Mas o planejamento seguiu e aos poucos a seleção foi crescendo. Claro que as ginastas foram mudando ao longo dos anos, afinal a modalidade é praticada por jovens e adolescentes.
Camila Ferezin seguiu à frente da seleção e a aposta deu frutos. Medalhas surgiram em torneios internacionais, em etapas de Copa do Mundo, a supremacia nos Jogos Pan-Americanos de Santiago foi impressionante e finalmente chegaram os Jogos de Paris, onde o pódio era possível, mas o acaso deixou o Brasil de fora, após a lesão de Victoria Borges, na panturrilha esquerda, durante o aquecimento para a segunda rotação.
E essa decepção momentânea se transformou em fortaleza. O trabalho seguiu e em 2025, no Rio de Janeiro, duas pratas inéditas foram conquistadas no Campeonato Mundial. In loco pude testemunhar como a Arena Carioca 2 se transformou em uma espécie de Maracanã, quando as brasileiras se apresentaram.
Agora, no Mundial de Frankfurt, na Alemanha, dois títulos mundiais e um bronze que simplesmente valeu classificação antecipada para Los Angeles em 2028.
A ginástica rítmica brasileira venceu. O trabalho de Camila Ferezin e sua comissão técnica deu frutos. O Brasil se tornou potência em uma modalidade que no máximo era figurante, quando conseguia lá chegar.
O recado foi dado 15 anos antes. Sonhar. Trabalhar. Persistir. Ousar. Planejar. Ter dedicação.
Por isso, Camila Ferezin, Ricardo Resende, Bruna Martins, Henrique Motta, e todas as ginastas que embarcaram no projeto de quase duas décadas e as pioneiras do passado tem muito o que comemorar.
A fórmula do sucesso? Trabalho. Ele é a prova de que objetivos são alcançados, desde que você não saia do que planejou.




