
Os Estados Unidos respiram basquete, tanto que os campeões da NBA são comumente chamados de campeões mundiais, mesmo que a liga seja disputada por franquias do país e do vizinho Canadá.
Mas o exagero poético estadunidense se justifica pela força que cada equipe tem no cenário internacional. Se tivéssemos um Mundial de Clubes com participação de times do país, veríamos algo semelhante ao que temos com as últimas edições do Mundial da Fifa, onde a Europa ocupa esse espaço.
A decisão desta temporada da NBA, entre New York Knicks e San Antonio Spurs, tem mobilizado o público no país, tanto que o noticário local deixa o futebol, mesmo há dois dias do início da Copa do Mundo, relegado a um segundo plano.
Os Knicks não vencem a liga desde a temporada 1972-1973 e o início avassalador, com duas vitórias na casa dos Spurs, que não são campeões desde o campeonato de 2013-2014, deu a sensação de que o time de Nova York poderia fazer uma nova varrida e quebrar a seca.
Na terça, os Spurs venceram no Madison Square Garden e garantiram ao menos mais um jogo no Texas. Mas o que mais chamou atenção não foi a grande atuação de Victor Wembanyama, mas sim a estrondosa vaia que ecoou no mítico ginásio, quando o hino do país foi executado e o telão mostrou Donald Trump.
Política e esporte
E como já escrevi por aqui, em outros momentos, política e esporte andam de mãos dadas, por mais que alguns queiram negar. Seja para o lado bom ou negativo.
Políticos ao lado de times viraram cena comum ao longo dos séculos. Muitos tentam usar grandes eventos para mostrar que suas nações estão indo bem, seja pelas conquistas, como fizeram os militares brasileiros na Copa de 1970 e argentinos na Copa de 1978 ou os chineses nos Jogos Olímpicos de 2008, assim como fizeram os alemães em 1936, na Olimpíada disputada em Berlim.
E o que a Copa de 2026, que vai ser disputada nos EUA, México e Canadá tem a ver com isso?
Por ser sede da maior parte dos jogos, incluindo a decisão, os estadunidenses se tornaram o centro principal do evento, incluindo as polêmicas decisões de negar vistos para membros de delegações, como Irã e Iraque, ou simplesmente deportar um árbitro da Somália, país que já foi atacado por Donald Trump de forma gratuita e xenófoba.
— Eles não contribuem em nada. Não quero eles no nosso país. O país deles é ruim por um motivo. O país de vocês (somalís) fede, e não queremos essas pessoas aqui — disse Trump em dezembro passado.
Subserviente, a Fifa só diz amém às determinações do governo estadunidense e isso torna a Copa um ponto de preocupação para os estrangeiros que lá irão circular.
Daqui a dois anos teremos Jogos Olímpicos em Los Angeles e o que a prévia da Copa do Mundo nos diz é que o cenário ainda será pior. É possível que alguns países sequer participem dos Jogos Olímpicos, caso Trump não os autorize, já que ele ignora até mesmo regras que existem para essas competições.
Por isso, as vaias que ecoaram no Madison Square Garden tem um significado e uma justificativa.
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