
Evento do esporte mais popular do planeta, a Copa do Mundo de Futebol tem sua segunda incursão na terra do Soccer. E apesar do sucesso de público, com 68.991 torcedores por jogo em 1994, que é até a hoje a maior da história, os Estados Unidos seguem com dificuldade de entender e até mesmo de aceitar o futebol, que para eles ainda é aquele outro esporte jogado com as mãos.
Pelé, Beckenbauer, Criujff e agora Messi são tentativas de transformar o futebol em modalidade querida pelo público estadunidense, que tem mais carinho pelo basquete (NBA), futebol americano (NFL) e beisebol (MLB), o que acabou criando uma espécie de "esportes estadunidenses", mesmo que também sejam modalidades praticadas e populares em outros países, especialmente os que tiveram forte influência cultural dos Estados Unidos.
Sim, influência cultural. Porque futebol faz parte da cultura. E para tentar aproximá-lo do público da terra do "Tio Sam" e de olho em um mercado rentável, a Fifa resolveu mudar o esporte. O argumento é irrefutável: a saúde dos jogadores.
E com essa grande "preocupação" com a saúde e bem estar dos atletas, foram criadas as duas paradas de hidratação, exatamente na metade de cada tempo do jogo, que pela regra tem dois tempos de 45 minutos, mas que no Mundial onde 75% dos jogos são disputados nos EUA, passou a ser um jogo de quatro tempos de aproximadamente 22 minutos e meio cada.
Assim, a Fifa ainda abriu espaço para comercialização do período de hidratação dos atletas e o jogo só é retomado após o término do espaço publicitário na televisão dos EUA, tanto que alguns jogos já demoraram para recomeçar porque mais uma propaganda de refrigerante ou de cachorro quente estava no ar.
De forma hábil, a Fifa utilizou um argumento discutido, a saúde dos atletas e o transformou em algo rentável. Mas jogos na altitude seguem sendo permitidos, assim como calendários cada vez mais extensos, ou até mesmo partidas disputadas com temperaturas extremas abaixo de zero.
Mas além do aspecto comercial atrativo para as principais redes de televisão dos EUA, transformar o futebol em uma partida de quatro períodos, o aproxima da NBA, com quatro tempos de 12 minutos, futebol americano, com quatro tempos de 15 minutos e até mesmo do lacrosse, popular nas universidades estadunidenses e jogado em quatro períodos de 15 minutos. O beisebol tem seus nove innings e foge a essa regra, mesmo que também tenha suas paralisações.
Atletas e treinadores já reclamaram dessa paralisação, alegando que ela está mudando o jogo, afinal a equipe que está dominando, criando chances de gol até o instante da forçada parada, acaba tendo seu ritmo cortado até que "um novo tempo" reinicie.
Mas esse parece o caminho, seja com pausa para hidratação ou parada técnica, o futebol está sendo modificado em sua essência, assim como seu público já foi trocado com arenas e ingressos cada vez mais caros.




