
Um caso preocupante movimenta os bastidores das categorias de base do vôlei gaúcho. A Sogipa encaminhou à Federação Gaúcha de Voleibol (FGV) um documento onde afirma que um de seus atletas foi "alvo de manifestações discriminatórias e homofóbicas divulgadas em redes sociais" durante a disputa do 27º Festival Mercosul de Voleibol, ocorrido em Novo Hamburgo.
De acordo com o material produzido pelo clube, ao qual a coluna teve acesso, o jogador em questão foi ofendido "por uma participante da competição", que é jogadora de uma outra equipe do Rio Grande do Sul.
A nota assinada pelo presidente da Sogipa, Marcelo Bervian, pede a "instauração de procedimento apuratório, a adoção das sanções cabíveis, medidas educativas e preventivas, além de uma manifestação oficial de desagravo".
O clube também solicitou que "o caso seja comunicado às autoridades competentes, caso seja considerado necessário". Para preservar os envolvidos, os nomes dos atletas não serão divulgados, até mesmo por se tratarem de menores de idade.
Procurada, a FGV afirmou que sua posição sobre o caso está em nota emitida nesta sexta (15), onde "manifesta repúdio aos atos de discriminação cometidos recentemente durante uma competição de voleibol" e afirma que "insultos homofóbicos são atos inaceitáveis e que vão contra os valores de respeito, inclusão e igualdade que devem prevalecer em nossa sociedade".
A Federação ainda afirma que "solicitou às autoridades competentes a tomarem as medidas cabíveis". A entidade também reafirmou o seu "compromisso de continuar trabalhando para a construção de um esporte mais justo, especialmente no que se refere à formação de crianças e adolescentes".
O clube no qual a atleta que teria feito as postagens preconceituosas atua, que não é identificado na nota oficial da Sogipa, mas consta no documento enviado pelo clube à FGV, foi procurado pela coluna, mas preferiu não se manifestar.
Sociedade
Atitudes como essa revelam o mais perverso que existe no ser humano. Não saber viver em sociedade e não saber aceitar o outro diz muito sobre o mundo atual, que com tanto progresso tecnológico deveria nos brindar com pessoas mais evoluídas. Mas, pelo contrário, tem nos mostrado cada vez mais o lado mais raso, mais repugnante do ser humano.
Não podemos compactuar com atitudes como essas. Sei que veio de uma adolescente, mas mesmo assim, é inaceitável. É preciso supervisão, é necessário cobrar dos clubes palestras educativas e deixar claro que preconceito é crime.
O esporte deve, antes de tudo servir para educar. E, se for necessário, educar filhos e até mesmo pais que possam achar que preconceito é algo aceitável.





