
A Turquia voltou a mandar no voleibol feminino de clubes da Europa. O VakıfBank venceu o rival Eczacıbaşı, no domingo (3), em Istambul, e conquistou o título da Liga dos Campeões da Europa, após duas temporadas onde as finais foram disputadas por equipes italianas e com o Volley Conegliano, da ponteira brasileira Gabi se sagrando campeão.
Italiana e turcas dominarem o cenário de clubes na Europa não é novidade, já que desde a temporada 2014/2015 apenas equipes desses dois países conquistam o troféu.
Mas o que chamou atenção no Final Four europeu veio após a disputa do terceiro lugar, quando o Conegliano derrotou o atual campeão mundial Scandicci.
Pietro Maschio, que atua na presidência do clube ao lado de Piero Garbellotto, comemorou o fato de que sua equipe não ficou com uma das duas vagas no Mundial de Clubes, que ainda não tem data e local definido.
— Ainda bem que não estamos participando. É um fardo. Os brasileiros fizeram o que puderam, não quero culpá-los por terem que organizar em um prazo tão curto. No entanto, voltamos para casa cheios de pulgas. E há até relatos médicos. Jogamos em uma quadra vergonhosa. Quem está no topo não pode organizar algo assim — disse ele em entrevista à mídia italiana, se referindo ao torneio realizado em dezembro de 2025, em São Paulo, quando sua equipe terminou como vice-campeã.
Após a repercussão negativa vieram as desculpas e a tradicional nota oficial afirmando que foi um "mal-entendido", algo de praxe em casos de preconceito.
E afirmo ser preconceito assim como foi o vídeo publicado pelo jogador polonês Mateusz Bieniek, do Warta Zawiercie, reproduzindo estereótipos negativos do que seria a "cultura brasileira", durante a participação da equipe no Mundial masculino de vôlei, em Belém, também em dezembro de 2025.
A fala do dirigente e o vídeo do jogador apenas escancaram o preconceito existente em relação ao Brasil, que para eles ainda carrega a imagem de subcultura, como se eles europeus ainda precisassem nos ensinar boas maneiras.
Essa visão eurocentrista já deveria ter ficado apenas nos livros de história, já que ela remete à Idade Média e ao Renascimento, como se eles fossem os "civilizados" e nós, os "selvagens".
Por acreditar ainda nessa forma de pensar, de estar em mundo desenvolvido e que aqui é uma selva, falas e atos como os citados, são praticados com naturalidade, especialmente com quem tem dificuldade de conviver com o que é distinto do seu padrão.
E o esporte é exatamente o oposto. Ele deve unir e não separar. Ele deve diminuir diferenças e oportunizar a todos, independente de que local do mapa mundi estejam, de qual cor ou opção sexual as pessoas tenham.
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