
Terceira colocada no skate street feminino, da etapa gaúcha do STU National, a gaúcha Maria Lúcia fez um desabafo, no sábado (21), em entrevista ao repórter João Praetzel, na Rádio Gaúcha.
A canoense de 16 anos, que em maio de 2024 teve a casa atingida pela enchente e precisou ser resgatada, junto com seus dois irmãos, dentro de uma caixa d'água, pediu maior incentivo à modalidade e ao esporte no Rio Grande do Sul.
— Que incentivem mais o skate. Porque não adianta ter só uma pista de skate e deu. É preciso incentivar mais os atletas, as crianças, a praticar esporte. Porque é muito fácil criar uma pista e surgem do nada os atletas — disse a medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos Júnior em 2025.
A fala surgiu como um grito de socorro de quem sabe que para seguir em alto nível não basta talento. A própria Maria Lúcia sabe dos esforços necessários para se manter e participar de competições, como realizar rifas, por exemplo.
Ouvindo a entrevista da adolescente de 16 anos, no programa Show de Bola, lembrei de diversas histórias que ouvi de pais de atletas, de treinadores, que também buscam incentivo (leia-se patrocínio).
Não são raros os casos de atletas que desistem do sonho de seguir no esporte, independente da modalidade, por não terem como competir por clubes gaúchos. A dificuldade é cada vez maior e por vezes ceifa promissoras carreiras.
— Muitos quando começam a evoluir vão embora pra outros lugares porque o Estado não apoia. Aqui, o Estado do Rio Grande do Sul não é de apoiar os atletas. Isso é difícil para quem é daqui. Muita gente que conheço, que era aqui do Rio Grande do Sul foi pra outros estados porque não tinha o incentivo e o apoio aqui — continuou Maria Lúcia.
Os clubes sofrem com essa falta de incentivo (patrocínio) e trabalhos como da Sogipa, Grêmio Náutico União, Recreio da Juventude, Veleiros do Sul, Brilhante, Juventus de Teutônia e tantos outros não citados é admirável e merece o maior aplauso possível.
Mas essas entidades tem seus limites, assim como os programa de incentivo, como leis que beneficiam alguns atletas. Para se ter ideia, o que muitos atletas, clubes ou projetos recebem através desses programas não equivale a 10% da rescisão salarial de treinadores demitidos ou jogadores que não deram certo na dupla Gre-Nal.
— E se eles querem atletas representando o Rio Grande do Sul, o Estado, que incentivem mais o esporte — encerrou Maria Lúcia, que em pouco menos de um minuto de fala escancarou como é tratado o esporte gaúcho, salvo raras exceções.





