
A Copa do Mundo de 2026 está programada para iniciar no dia 11 de junho. Mas realmente ela será do mundo?
E aqui quero estender para os esportes olímpicos, porque a Fifa (Federação Internacional de Futebol) já seguiu uma recomendação do Comitê Olímpico Internacional (COI) para afastar a Rússia, que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e permanece até hoje fora de todas as competições.
Na oportunidade, a seleção russa foi desclassificada da repescagem europeia da Copa, na qual enfrentaria a Polônia, que avançou automaticamente após uma recomendação do conselho executivo do COI para que as federações internacionais proibissem atletas e autoridades russas e bielorrussas de competirem em seus eventos.
A recomendação foi feita após a Rússia reiteradamente violar a Carta Olímpica. Um dos pontos desrespeitados foi não seguir a chamada Trégua Olímpica, que inicia uma semana antes da Olimpíada e termina uma semana após as Paralimpíadas. No momento, ela está em vigor, já que apenas os Jogos Olímpicos de Inverno foram disputados, mas as Paralimpíadas estão por começar.
Paralelos traçados, a resolução seria simples: Estados Unidos e países que apoiam os conflitos armados criados por Donald Trump estariam fora da Copa.
Mas há um outro aspecto. Os EUA de Trump impedem pessoas de alguns países de ingressarem em seu território. Dessa lista, quatro países estão classificados para a Copa: Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim.
Essa decisão está ligada à política migratória, que internamente tem gerado manifestações nas ruas estadunidenses.
A África do Sul, pela política do Apartheid, ficou fora do mundo esportivo por décadas.
Fifa e Trump
A Fifa terá coragem de enfrentar o xerife do mundo, que hoje ocupa o cargo de presidente dos EUA?
Afinal, Donald Trump recentemente ganhou o "Prêmio da Paz da Fifa", e o presidente da entidade, Gianni Infantino, faz parte do recém-criado Conselho da Paz de Trump.
O COI chegou a investigar Infantino, que é um de seus membros, para saber se de alguma forma ele teria violado as regras da Carta Olímpica, que determina que seus "associados devem agir de forma independente de interesses políticos e comerciais e não podem aceitar mandatos ou instruções de governos ou outras entidades que interfiram em sua liberdade de ação e voto".
Nesta reunião, realizada em Washington, o presidente da Fifa usou um boné vermelho com a inscrição “USA” e os números “45-47”, em referência aos dois mandatos não consecutivos de Trump.
Após as averiguações, o COI concluiu que nada de ilegal ocorreu e não sugeriu nenhum punição a Infantino.
Mas seria diferente? Afinal, o COI baniu dos Jogos de Inverno o ucraniano Vladyslav Heraskevych, do skeleton, por tentar usar um capacete que homenageava mais de 20 atletas e treinadores mortos na guerra de seu país contra a Rússia.
No final, a política e os interesses comerciais vencem sempre, independente do que esteja em jogo, até mesmo vidas.
Cenário ideal
O ideal seria ter Copa do Mundo no Canadá e no México, sem a presença dos EUA, mantendo os critérios já expostos.
Mas em um mundo que dorme com medo e acorda sem saber como foram os sonhos do presidente dos EUA, e o que eles podem afetar o dia seguinte, é mais fácil pensar na Copa Trump, com a presença apenas de quem ele desejar que esteja em seu território, do que em uma Copa do Mundo.
O mesmo valerá para daqui dois anos, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.
Definitivamente o esporte perdeu.



