
Em meio às disputas por medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno, vários outros temas tem sido debatidos por atletas. E se no esporte existia uma ideia de que "atleta deve apenas competir e ficar alheio ao resto", numa espécie de "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher", os esportistas tem dado exemplo de que estão atentos aos acontecimentos e, acima de tudo, se posicionado.
O esporte é uma grande ferramenta para manifestações, independente do espectro. Em 1936, Adolf Hitler usou os Jogos Olímpicos para promover a "supremacia ariana", mas não contava com um tal Jesse Owens, que fez ruir as teorias supremacistas na mesma velocidade de suas pernas.
Anos mais tarde, na Cidade do México em 1968, os velocistas Tommie Smith e John Carlos, dos EUA, realizaram uma saudação do Movimento "Black Power" no pódio olímpico, protestando contra o racismo.
Muitos outros acontecimentos podem ser registrados, como os boicotes dos EUA aos Jogos de Moscou em 1980 e o troco da ex-União Soviética, quatro anos depois, em Los Angeles, promovendo um novo boicote. Os dois episódios tinham a disputa da Guerra Fria, como pano de fundo.
Agora, nos Jogos Milão-Cortina, os atletas dos EUA tem se manifestado sobre o que acontece no território de seu país, especialmente sobre a política de Donadl Trump contra imigrantes.
E os atletas tem deixado claro que eles representam a bandeira dos EUA, mas não os EUA de Donald Trump, que prega uma política misógina e discriminatória.
A esquiadora Mikaela Shiffrin, uma das grandes estrelas da delegação estadunidense foi questionada sobre o tema e leu um texto de Nelson Mandela que diz: "A paz é a criação de um ambiente no qual cada pessoa pode se desenvolver, seja qual for sua raça, sua cor, suas crenças, sua religião, seu gênero, sua classe, sua casta ou qualquer outro marcador social de diferença".
Outro esquiador, Hunter Hess, dono de duas medalhas nos X-Games, havia dito que " Obviamente há muita coisa acontecendo de que eu não sou muito fã, e acho que muita gente também não é. Só porque estou vestindo a bandeira não significa que represento tudo o que está acontecendo nos EUA".
E essa fala causou a ira no todo poderoso presidente estadunidense, que foi às redes sociais e afirmou que: "Ele (Hunter Hess) é um verdadeiro perdedor, diz que não representa o país nos atuais Jogos Olímpicos de Inverno. Se esse é o caso, não deveria ter tentado entrar para a equipe, e é uma pena que esteja nela. É muito difícil torcer por alguém assim".
Bicampeã do snowboard halfpipe, Chloe Kim, foi direta ao ser questionada: "O fato de meus pais serem imigrantes (da Coreia do Sul) torna tudo isso muito pessoal para mim. Em momentos como esse, é importante nos unirmos e levantarmos uns pelos outros. Acredito que temos o direito de expressar nossas opiniões sobre o que está acontecendo. Precisamos liderar com amor e compaixão".
As falas deixam uma mensagem clara. Para os atletas que estão na Itália, os EUA não são Donald Trump, suas ideias e valores. Com definiu Mikaella Shiffrin, eles estão representando seus próprios valores, "de inclusão, de diversidade e de bondade", exatamente como prega o chamado "espírito olímpico".




