
No país do futebol, a queda de Lucas Pinheiro Braathen, na manhã desta segunda-feira (16), soa como derrota. Afinal, a modalidade das chuteiras cobra resultados e boa parte de seus fãs nem sequer admite dividir espaço com outras modalidades, imagine com o esqui alpino.
A vitória de Lucas, no slalom gigante, seguirá sendo histórica, única e equivalente a um título de Copa de Mundo. O Brasil que ainda se acha gigante no futebol, mesmo que não ganhe nada há anos, é minúsculo em tradição de esportes na neve e no gelo.
E eu sei que tem um bicampeonato olímpico desde a Copa de 2002, mas pra quem não gosta de outros eventos não conta, não é?
Mas voltando ao ouro inesquecível de Lucas Pinheiro Braathen, aliás brasileiro nato e não naturalizado — quem tem dúvida consulte o que diz a Constituição sobre filho de brasileiro (a) nascido no Exterior —, ele é uma conquista de determinação e esforço, algo que não se vê nos verdes campos naturais e artificiais.
O fato de Lucas, dois dias depois de se sagrar campeão olímpico cair e não conseguir um segundo ouro deve frustrar mais quem jamais havia ouvido falar nele e até torceu o nariz pela exaltação que lhe foi merecidamente feita do que a ele e sua equipe, porque o esporte é exatamente assim, você ganha um dia e perde no outro.
Como ele mesmo disse após a prova não concluída: "Dias como hoje (o da derrota) é que criam o atleta que acorda amanhã". São os erros que nos ensinam e nos mostram que não somos perfeitos.
Que o tombo de Lucas lembre a todos, que é necessário se erguer e seguir aprendendo.

