
Algo que parecia tão distante, para nós brasileiros, a conquista de uma medalha olímpica nos Jogos de Inverno, está se aproximando.
E para um país que passou a competir apenas em 1992 e que, por questões geográficas, não pode ser uma potência de esportes de gelo e neve, só o fato de se candidatar a um lugar no pódio já merece aplausos.
Os Jogos Milão-Cortina, que tem nesta sexta (6) sua Cerimônia de Abertura, podem representar um marco importante, mesmo que o Brasil não consiga a medalha.
As possibilidades concretas são duas, mas eu arriscaria colocar um terceiro nome. Além de Lucas Pinheiro Braathen, um dos melhores do mundo no esqui alpino, e da gaúcha Nicole Silveira, quarta no último Mundial de skeleton, Pat Burgener, do snowboard, também merece menção e quem sabe não seja uma "surpresa" positiva.
Claro que Lucas e Pat não nasceram no Brasil e que suas relações com o País vem de suas mães, sendo que a de Burgener sequer nasceu em solo brasileiro, mas foi adotada por nossa Nação, quando precisou fugir da guerra civil do Líbano ainda na adolescência.
As ligações de Lucas são mais sanguíneas, já que sua mãe, Alessandra, é brasileira e trazia o menino nascido na fria Oslo, na Noruega, para passar férias por aqui, onde ele jogava futebol nas ruas de São Paulo, com os primos.
O gosto pelo futebol o fez torcedor do São Paulo e fã de Ronaldinho Gaúcho. Hoje, cada vez mais brazuca, ele namora a global Isadora Cruz, estrela de "Coração Acelerado".
Os dois se conectam na brasilidade e no espírito olímpico. E Lucas e Pat são claros exemplos de que não é apenas esporte.
Nicole Silveira também é um capítulo importante. A rio-grandina que se mudou ainda criança — aos sete anos — para Calgary, no Canadá, jamais esqueceu as raízes e quando surge um momento vem ao Brasil e se dirige para sua cidade.
Em 2023, após conseguir o melhor resultado brasileiro na história dos Jogos, ela veio ao Sul, fez uma visita aqui na redação da Rádio Gaúcha e de Zero Hora, antes de se dirigir à zona sul do estado.
Nicole foi atleta de algumas modalidades antes de chegar ao skeleton, onde está consolidada entre as 10 melhores do mundo, e hoje é referência na modalidade, pelo crescimento que obteve nos últimos anos.
Independentemente dos resultados, Lucas, Pat, Nicole, os demais esquiadores (Bruna Moura, Manex Silva, Eduarda Ribera, Alice Padilha, Christian Oliveira, Giovanni Ongaro) e a turma do bobsled, capitaneada por Edson Bindilatti, já estão na história.
Afinal, quem iria imaginar, 34 anos atrás, que o Brasil chegaria aos Jogos de Inverno com chances de medalha, mesmo sem neve e gelo.




