
País apaixonado por esportes e com um povo com aptidão para a prática de toda e qualquer modalidade, o Brasil conquistou nesse sábado (14), uma das maiores façanhas esportivas de sua história, a medalha de ouro de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante, uma das disciplinas do Esqui Alpino.
"Ah mas o Lucas nasceu em Oslo", dirão alguns. Sim, e também competiu pela Noruega. Mas o filho do norueguês Bjørn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro de Castro tem raízes brasileiras, no interior de São Paulo, na região de Campinas, onde parte de sua família acompanhou as duas descidas históricas na montanha de Bormio, na Itália.
Fã de Ronaldinho Gaúcho, Lucas é torcedor do São Paulo, vem ao Brasil e, desde a infância, sempre esteve próximo do país de nascimento de sua mãe.
Antes mesmo de decidir defender o Brasil, Lucas Pinheiro Braathen já era um esquiador de sucesso, com pódios em Mundial júnior, além de 12 medalhas em etapas de Copa do Mundo, cinco delas de ouro.
Mas uma disputa com a Federação Norueguesa de Esqui o fez abandonar a carreira em 2023. A retomada veio um ano depois, quando pediu à Federação Internacional de Esqui (FIS) para mudar de bandeira, já que possui dupla nacionalidade.
Nesta semana, em Milão, onde foi um dos porta-bandeiras do Brasil na cerimônia de abertura, Lucas disse que precisava de liberdade: "Agora eu sinto que a tenho, em cada competição. Tenho essa liberdade que me permite ter um desempenho melhor, com o orgulho e a alegria que este esporte me traz".
E com essa característica brasileira, de querer liberdade, de competir com alegria, que Lucas entra para a história do esporte mundial, como o primeiro representante da América Latina a conquistar uma medalha em Jogos de Inverno, ao lado das 10 que ele já conquistou em alguns meses vestindo verde e amarelo.
O ouro de Lucas Pinheiro Braathen em Bormio tem o tamanho de uma Copa do Mundo e de tantas outras modalidades onde o Brasil já gritou "é campeão", como Fórmula-1, vôlei, basquete, tênis, judô, futsal, vela e ginástica...
Neste 14 de fevereiro, a "Pátria de Chuteiras" passou a ser a "Pátria de Botas de Esqui".

