
A importância de apostar em grandes eventos esportivos ainda precisa ser muito bem explicada no Brasil. Cidades como Porto Alegre, por exemplo, não se atrevem a investimentos do porte de um torneio como o Rio Open.
Com exceção de jogos da dupla Gre-Nal, a tão valorosa capital dos gaúchos está longe de grandes espetáculos esportivos. Há raras exceções, como o STU, que traz à capital Rayssa Leal e alguns dos principais nomes do skate.
O que se ouve sempre é que "não tem interesse" e "quem vai querer assistir?". Enfim, desculpas surradas, que já se tornaram um dogma de quem não quer pensar além das quatro linhas do campo de futebol — onde o Rio Grande do Sul só perde espaço, aliás.
Pode ser algo cultural, afinal sequer um ginásio com condições de abrigar um grande evento a capital gaúcha tem. Mas é triste ver grandes eventos rodarem o Brasil e passarem tão distante de Porto Alegre.
Nem sempre foi assim. A cidade, afinal, já foi sede de Mundial de Clubes de vôlei, de Mundial de seleções de basquete, de Mundial de Clubes de Futsal, e até de um Universíade, assim como inúmeros jogos de Copa Davis.
Calendário cheio
O calendário esportivo brasileiro deste ano tem Mundial de Skate em São Paulo, que também receberá o SP Open de tênis, o Sail GP de vela, aqui no Rio de Janeiro, o Mundial de Marcha Atlética em Brasília, que também sediará a Liga das Nações de vôlei, entre outros eventos.
Os orgulhosos gaúchos dirão que eventos como esse não fazem falta. Mas com certeza adorariam que grandes quantias entrassem na combalida economia do Estado com turismo esportivo.
Afinal, se não é possível competir com as belezas naturais do Rio de Janeiro, existem áreas em que é possível concorrer. Ou Brasília tem mais atração turística que a capital da Província de São Pedro?
Só para colocar um pimenta na discussão, o Rio Open de 2026 tem um número recorde de 44 marcas patrocinadoras e 12 apoiadoras, e deve injetar cerca de R$ 200 milhões na economia do Rio de Janeiro. E o torneio de tênis ainda ocorre em meio ao Carnaval este ano, sem nenhuma tipo de interferência.
Mas pensando na cidade onde nasci há pouco mais de 50 anos, será que um local que "expulsou o Carnaval" para um ponto afastado e nem na data o realiza, quer evoluir, quer se tornar turística, quer atrair outros públicos, especialmente aquele que ainda não chegou na casa dos 40?






