
Os Jogos Olímpicos de Inverno têm a Cerimônia de Abertura programada para a próxima sexta (6), em Milão e Cortina D'Ampezzo, na Itália. O evento foi lembrado pelo Papa Leão XIV no Angelus dominical, pronunciado da janela do Palácio Apostólico.
— Na próxima sexta-feira, terão início os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, seguidos pelos Jogos Paraolímpicos. Dirijo as minhas felicitações aos organizadores e a todos os atletas. Estes grandes eventos desportivos constituem uma forte mensagem de fraternidade e reavivam a esperança de um mundo em paz. É este também o sentido da trégua olímpica, um costume muito antigo que acompanha o desenrolar dos Jogos— afirmou o pontífice.
O Papa tem razão, mas nações poderosas ignoram a trégua olímpica
As palavras do Papa têm total razão, mas infelizmente os Jogos serão politizados e as guerras e conflitos não irão parar. Não por vontade dos atletas, mas de dirigentes de algumas das nações com maior poderio econômico e financeiro do Mundo. A começar pelo país onde Leão XIV nasceu, os Estados Unidos, que anunciaram que Agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) vão trabalhar na proteção das delegações estadunidenses durante os Jogos.
Este anúncio causou repercussão negativa em diversos países europeus, incluindo a Itália, que, como sede dos Jogos de Inverno, deveria ser a única responsável pela segurança dos participantes da competição, bem como de todas as pessoas envolvidas com o evento.
Recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) acatou a resolução apresentada pela Itália que pede uma trégua global em conflitos durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d'Ampezzo.
Em 2024, em Paris, países envolvidos em conflitos ignoraram esse pedido para os Jogos Olímpicos de Verão, incluindo a Rússia, que já havia invadido a Ucrânia.
Após invadir a Venezuela e prender seu presidente Nicolás Maduro, os Estados Unidos seguem com ameaças ao Irã e Groenlândia, por exemplo, assim como a Rússia permanece ocupando parte do território ucraniano e Israel na Palestina.
Posição do COI é pífia
Assim como a Fifa vem ignorando os últimos acontecimentos, e sequer tem tocado no tema, o Comitê Olímpico Internacional (COI) também não se manifesta, talvez temeroso de enfrentar uma nação como os Estados Unidos e seu presidente Donald Trump, travestido como xerife do mundo, assim como seus aliados em outras nações.
Imaginem o COI ou a FIFA proibirem os EUA e seus aliados de participar de grandes eventos por violarem direitos e princípios internacionais? Mesmo sem poder político, uma simples manifestação poderia mostrar que os fatos não são ignorados, que a "Lei do Mais Forte" não prevalece. Mas não, os dirigentes destes órgãos têm atuações pífias na promoção do que o esporte deveria ter como princípio, que é a união entre os povos.
Muito mais fácil seguir acreditando na punição à Rússia, primeiro por doping e depois pela invasão à Ucrânia, o que acabou modificando o cenário esportivo mundial e beneficiando diretamente os estadunidenses, do que em uma possível nota de repúdio a tudo que o noticiário internacional mostra, mesmo que isso seja uma pequena parcela do que vem acontecendo, de acordo com órgãos independentes de diversas áreas.






