
Em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu o território da Ucrânia, em uma guerra ainda não encerrada, o Comitê Olímpico Internacional (COI) emitiu nota "condenando fortemente as operações militares da Rússia e invasão da vizinha Ucrânia".
Um dos argumentos utilizados pelo COI é a chamada Carta Olímpica, que afirma que "o objetivo do Olimpismo é colocar o esporte a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade, com promoção da paz, da dignidade humana e do respeito aos direitos fundamentais".
Este documento é para o esporte o equivalente à Carta das Nações Unidas, que visa "manter a paz e segurança internacionais, desenvolver relações amistosas entre nações, promover a cooperação internacional e os direitos humanos, e servir como centro de harmonização das ações das nações".
As duas Cartas tem em comum o fato de que o COI enxerga o esporte como uma ferramenta para os objetivos da ONU em "promover a união mundial através de competições pacíficas".
Quase quatro anos depois, os EUA realizaram uma operação militar na Venezuela para prender o presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, e nenhuma nota foi emitida pelo COI. O silêncio é preocupante e mostra o quão seletivas são as escolhas no tabuleiro do esporte mundial, onde os Estados Unidos são a maior potência.
Mas este silêncio pode significar também um posicionamento. Afinal como "bater de frente" com o poderio econômico estadunidense sem ter efeito em patrocinadores ?.
Dos chamados parceiros globais (patrocinadores) do COI, muitos deles tem sede nos EUA e outros tantos são de países aliados.
O que se vê no cenário internacional político-econômico está diretamente ligado ao esporte, que é sim uma forma de afirmação de força e poder em todo o mundo.
Se punir a Rússia pela invasão à Ucrânia foi fácil para o COI, o mesmo não ocorre quando o assunto tem os Estados Unidos e seus aliados.
O COI deveria se posicionar sobre o que está acontecendo. Afinal foi o próprio comitê que exigiu dos atletas russos e bielorrussos que não apoiassem “ativamente a guerra na Ucrânia”, como condição de liberá-los para competir nos Jogos de Paris-2024 e outras competições, sob bandeira neutra.
Vale lembrar que outubro, o mesmo COI anunciou que rompeu o diálogo com a Indonésia como sanção pela recusa do país asiático em conceder vistos aos ginastas israelenses que deviam participar do Campeonato Mundial em Jacarta.
Terá a entidade máxima do esporte a coragem de suspender atletas estadunidenses ou o Comitê Olímpico local por conta dos "arroubos de xerife" do mundo de Donald Trump?



