
Um novo capítulo surgiu no impasse sobre a permanência ou não da operação da Federação de Ginástica Artística, Rítmica, Trampolim, Aeróbica e Acrobática do Rio Grande do Sul (FGRS) no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE).
Após a reunião, realizada na terça-feira, já com a vigência da liminar que provisoriamente garante à FGRS a permanência no ginásio do CETE, a direção do Centro de Treinamento comunicou que o Projeto Verão, que dá início às atividades para os alunos atendidos, será realizado.
Logo, a FGRS apresentará um plano de trabalho, ajustará questões internas por conta da troca de diretoria e seguirá os trâmites para, até o final de janeiro, recomeçar o atendimento. Esse é um passo fundamental, mas ainda não é o término do imbróglio. Afinal, a liminar pode ser cassada a qualquer momento. Mas a Secretaria Estadual de Esporte e Lazer parece sinalizar com caminho de consenso.
Outro ponto que ainda precisa ser resolvido é: quando será lançado o edital para ocupação do espaço? Apenas com o lançamento deste é que a FGRS poderá se habilitar a ocupar por um novo período o espaço no CETE.
Mobilização nacional
Nesta quinta (15), conversei por cerca de 30 minutos com Ricardo Resende, Diretor-geral da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), vice-presidente da Confederação Sul-Americana de Ginástica (Consugi) e da União Pan-Americana de Ginástica (UPAG) e que no final do ano passado se tornou o mais jovem membro do Conselho da Federação Internacional de Ginástica (FIG).
Minutos antes de embarcar para o Panamá, onde participará de reuniões da UPAG, ele se mostrou estarrecido com os acontecimentos no Estado e disse "não entender a necessidade da retirada da ginástica de um espaço ocupado desde a década de 1970".
Na conversa, Ricardo manifestou contrariedade aos fatos, reafirmou o total apoio à FGRS e sua nova diretoria, e chegou a mencionar a dificuldade encontrada pela CBG para tentar uma conversa com o secretário estadual de esportes, Juliano Franczak, o Gaúcho da Geral, que também é vice-presidente eleito do Grêmio.
Resende relatou ainda que a CBG, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e o Ministério do Esporte acompanham o caso de perto e que não descarta a vinda de uma comitiva ao Rio Grande do Sul para se reunir com o Governo do Estado e tentar encerrar o caso.
O que ouvi é uma grande inconformidade não só com a decisão inicial, que poderia ocasionar a saída da FGRS e de todos os equipamentos do legado olímpico dos Jogos Rio-2016, além do término do atendimento de 400 crianças via projetos sociais.
E esse inconformismo vem de diversas áreas do esporte, que questionam a ligação do secretário com o esporte propriamente dito para além do já conhecido torcedor de arquibancada.
A questão não terminou. Novas reuniões serão feitas. Contestações e discussões devem fazer parte do processo. A única coisa que não pode ocorrer é o esporte sair perdendo.



