
O Estado que revelou Daiane dos Santos e Mosiah Rodrigues, entre tantos outros grandes nomes da ginástica nacional, vive uma crise com a própria modalidade.
Após eleição e troca de gestão, a Federação de Ginástica Artística, Rítmica, Trampolim, Aeróbica e Acrobática do Rio Grande do Sul (FGRS) recebeu a triste notícia de que terá que deixar a sede que ocupa no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE). Informalmente o prazo determinado seria de três dias.
O novo presidente, José Luiz Luz, e a vice, Adriana Alves, que ficou mundialmente conhecida como técnica de Daiane dos Santos, foram comunicados que a modalidade terá de deixar o chamado Ginásio da Ginástica, que fica no complexo do CETE.
Mas não é apenas sair do ginásio. É, sobretudo, deixar para trás uma história construída por décadas. Aliás, Daiane e tantas outras ginastas são fruto de projetos no CETE, como os que hoje lá estão e que atendem cerca de 400 crianças, que por tabela também serão desalojadas do local, já que o comunicado feito pela diretoria do CETE exige que os equipamentos lá instalados sejam retirados.
O material que está no ginásio, e que serve para atender ginastas, que possam lá treinar e os projetos sociais, é de primeira linha, fruto do legado olímpico dos Jogos Rio 2016 e veio ao Rio Grande do Sul em parceria com a Confederação Brasileira de Ginástica. Estes equipamentos estão avaliados em R$ 1,8 milhão e, pela complexidade e qualidade, não podem ser tratados com um móvel qualquer a ser removido.
A comunidade da ginástica gaúcha está se mobilizando e Daiane dos Santos e a direção da CBG já foram acionados para tentar auxiliar nessa causa que é, não apenas da ginástica, mas por ter projetos sociais envolvidos, de toda a comunidade.
A posição da Secretaria do Esporte do CETE

Com o auxílio inestimável do experiente José Alberto Andrade — e que cobriu oito Jogos Olímpicos, dos quais estive em cinco — também ouvimos o lado da Secretaria do Esporte, liderada por Juliano Franczak, o Gaúcho da Geral, que também é vice-presidente eleito do Grêmio, e a diretora do CETE, Nathalia Lauermann.
Em resumo e com as próprias palavras que foram gentilmente enviadas a justificativa apresentada é a seguinte:
"O CETE é um bem público e a sua ocupação segue regramentos e normas. No caso da ginástica a Federação foi selecionada por edital e a vigência do mesmo findou agora em dezembro (de 2025). Embora tenha ocorrido troca na gestão da Federação em virtude de eleição ambas as gestões sempre tiveram total conhecimento do período de vigência. Destaca-se que inclusive foram realizadas consultas à Procuradoria Setorial do Estado sobre a possibilidade de permanência das atividades ou de manter os materiais até a nova seletiva o que não foi autorizado".
A nova gestão da FGRS diz saber dos trâmites dos editais, mas alega que três dias é um tempo exíguo para a retirada do material.
Outro ponto destacado pela direção do CETE é que, após reformas, o ginásio não mais irá abrigar apenas uma modalidade e que será feito investimento para outras modalidades olímpicas. Mas na mesma resposta, que fala em respeito às federações, atletas e modalidades, a diretora cita que serão colocados espelhos para "jazz e ballet", que na verdade não são esportes olímpicos e se enquadram muito mais como atividades físicas.
A diretora alega que se os equipamentos permanecerem no ginásio, até um novo edital, que irá determinar como ele será utilizado, isso poderia dar a entender que "eles (ginástica) serão os próximos vencedores do edital e por isso devem retirar o material".
Do outro lado, a comunidade gaúcha da ginástica alega que jamais conseguiu uma resposta formal, seja do Secretário Estadual de Esportes ou até mesmo da diretora do CETE. Que inúmeros pedidos de reunião foram feitos e que nenhuma resposta lhes foi apresentada e que até mesmo o prazo de saída em três dias (como se fosse uma ordem de despejo) não foi documentado.
Será que é necessário tratar um esporte que já rendeu tantas medalhas e fotos para políticos do Brasil e do Estado, ao lado especialmente da Daiane, precisa ser tratado assim? Ou será que há algum outro interesse? Afinal a política caminha ao lado do esporte e suas escolhas.

No que diz respeito às leis e procedimentos legais não tenho dúvidas que todos devem ser seguidos e que todo regramento deva ser respeitado.
Mas a coluna deixa algumas perguntas. Quando ocorrerá a reforma? Quando será lançado o edital? Não é possível estender esse prazo? É dessa forma que se pretende criar uma nova Daiane ou uma Rebeca?
A ginástica do Rio Grande do Sul e as 400 crianças atendidas pelos projetos da modalidade merecem uma resposta.
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