
A temporada 2025 para Daniel Cargnin foi encerrada, no último sábado (29), com a medalha de bronze no Grand Slam de Abu Dhabi.
Número 5 do ranking da categoria leve (até 73 kg), o gaúcho venceu o francês Joan-Benjamin Gaba, atual campeão mundial. A vitória teve um sabor especial para o judoca de 27 anos, já que foi uma revanche da final do Mundial deste ano, disputado em Budapeste, na Hungria.
— Foi o meu adversário da final do Mundial, mas eu entrei com uma estratégia boa. Era uma luta que eu sei que se a gente lutar 10 vezes, os resultados podem mudar (qualquer um pode vencer). Eu estava bem concentrado, bem feliz pensei é a última (luta) do ano. Depois vem as férias. Então vamos ganhar e levar essa medalha pra casa — disse Cargnin em entrevista ao programa Gaúcha Olímpica, da Rádio Gaúcha.
Neste ano, Cargnin voltou a competir livre dos problemas físicos que o prejudicaram no ciclo para os Jogos Olímpicos de Paris, onde caiu logo na primeira luta e depois foi bronze na disputa por equipes.
Em outubro de 2023, ele fraturou a fíbula do tornozelo esquerdo na semifinal dos Jogos Pan-Americanos de Santiago. Após as Olimpíadas, ele fez uma cirurgia no ombro esquerdo e também retirou uma placa que havia sido colocada em seu tornozelo.
A temporada 2025 foi de 20 lutas, com 16 vitórias e quatro derrotas no Circuito Internacional e as medalhas de ouro no Grand Prix de Lima, prata no Mundial e no Campeonato Pan-Americano e da Oceania e o bronze no Grand Slam de Abu Dhabi.
Confira a entrevista:
Você e o francês Gaba já se enfrentaram quatro vezes, com duas vitórias para cada. Essa será a grande rivalidade do ciclo olímpico de Los Angeles-2028?
Tem vários outros atletas (de qualidade), mas ele está chegando (nas finais) bastante nas competições. Então é focar nos treinamentos, no dia a dia, para que tudo dê certo e na competição mais importante (do ciclo), que é a Olimpíada (Los Angeles-2028) eu esteja bem pra ganhar dele também.
O que você acha que mudou desde Paris até agora?
Em Abu Dhabi, eu perdi na semifinal, uma luta que estava ganhando e pensei: "Eu podia estar na final". Mas eu mandei mensagem pra casa. Eu estava lutando tranquilo, em paz, sem pressão (cobrança), só minha mesmo. Eu quero lutar, porque quero ganhar. Porque geralmente as competições eram muito pesadas pra mim, eu me pressionava demais, pensando no que os outros estavam achando.
O aspecto psicológico. Você conseguiu tirar da cabeça isso de provar algo para os outros? Afinal você já foi medalhista olímpico, mundial. Então não tem nada para provar.
Eu acho que nós acabamos criando expectativas além das nossas, pensando nas expectativas que outros tem em nós mesmos e isso gera mais pressão. E uma meta que eu coloquei para esse ciclo é não perder a confiança, independentemente de ganhar ou perder. Isso é o mais importante. Quando eu fui medalhista em Tóquio (bronze nos 66 kg), eu não estava pensando no que iria acontecer depois, o que iriam achar. Eu só entrei pra lutar e é isso que eu quero fazer, lutar e fazer o judô que desde criança eu gosto e eu quero lutar porque eu gosto de judô.






