
Esporte e política sempre estiveram próximos. Chega a ser cínico o discurso de que atletas, treinadores e pessoas envolvidas no meio não devem se manifestar sobre política.
A criação dos Jogos Olímpicos da Antiguidade ocorreu para promover a paz e tinha o poder de paralisar guerras. A Olimpíada de 1936, em Berlim, serviu de propaganda para o Nazismo de Adolf Hitler, assim como a Copa do Mundo de 1934 foi usada pelo fascista Benito Mussolini e pela ditadura Argentina de Jorge Rafael Videla em 1978.
No pós Segunda Guerra Mundial, a divisão geopolítica, com os blocos liderados por Estados Unidos e União Soviética criou uma rivalidade ainda maior e as Olimpíadas sofreram com dois grandes boicotes, em Moscou-1980 e Los Angeles-1984.
E mesmo quem não nasceu antes de 1970 já ouviu "Pra Frente Brasil", uma marchinha de Miguel Gustavo que se tornou um hino da seleção na Copa do México e que embalou a conquista do tri, enquanto a Ditadura Militar do Brasil se tornava mais cruel e sangrenta.
Pelé, o Rei do Futebol, foi criticado por jamais se posicionar contra os militares, numa época em que a Democracia estava suprimida no território nacional.
Sócrates, Casagrande e Wladimir lideraram o movimento "Democracia Corinthiana", que servia para uma autogestão de vestiário, com as decisões compartilhadas pelos atletas, como também foi importante no pedido de redemocratização e campanha por eleições diretas, o chamado "Diretas Já", que foi estampado na camisa do clube paulista.
Diego Maradona foi à Cuba para se encontrar com Fidel Castro e jamais escondeu suas preferências políticas, assim como tantos outros atletas alinhados a pensamentos distintos ao craque argentino.
No Brasil, o discurso foi de que atleta não deveria se manifestar. E claro o objetivo é evitar que eles usem o seu alcance a favor ou contra uma forma de pensar política.
Aqui no Brasil, Carol Soblerg, medalhista de bronze do Mundial de vôlei de praia, se manifestou durante a pandemia de covid-19 contra o então presidente Jair Bolsonaro e até julgada foi. E não falo do julgamento sumário das redes sociais, mas do Tribunal de Justiça da modalidade, que a puniu e posteriormente absolveu e sempre com placares apertados (3 a 2 e 5 a 4), o que demonstra que há espaço para todos pensarem em uma Democracia.
Nos últimos dias, Pep Guardiola se teceu comentários sobre os acontecimentos em Gaza, atletas ucranianos se recusam a cumprimentar russos por conta da guerra iniciada por Vladimir Putin, assim como Cristiano Ronaldo revelou o desejo de conhecer Donald Trump e teve seu pedido atendido pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que levou o jogador do Al-Nassr para um jantar na Casa Branca.
Por isso, acredito que saudar Carol Solberg e não condená-la se faz necessário, porque esporte e política sempre caminharam juntos e seguirão de mãos dadas.






