
A escolha da sede dos Jogos Pan-Americanos de 2031, que definiu Assunção, no Paraguai, como sede do maior evento multiesportivo das Américas é sobretudo uma vitória política.
O Paraguai receberá uma competição deste porte, pela primeira vez na história. A única experiência até então foi abrigar os Jogos Pan-Americanos Júnior deste ano, onde muitas questões de logística ficaram a desejar, como transporte e estrutura em ginásios, por exemplo. Os paraguaios terão seis anos para resolver esses e outros problemas.
E porque citei que é uma vitória política. Camilo Pérez López Moreira é um organizador esportivo paraguaio, que militou no tênis, atletismo, futebol, esqui aquático e rali, onde foi campeão nacional e sul-americano, que presidiu a Associação Paraguaia de Tênis e, desde 2011 dirige o Comitê Olímpico Paraguaio, além de ser vice-presidente da Panam Sports e membro do Comitê Olímpico Internacional.
Pois é Camilo Pérez o grande vencedor desta sexta-feira (10). Ele colocou o Paraguai nesse mapa com o Pan Júnior e se arriscou a encarar o poderio econômico do Brasil, mesmo depois de ter perdido a disputa anterior para Lima, em eleição feita às pressas para substituir Barranquilla em 2027.
O Paraguai era o favorito nos bastidores, mas pesava para o Brasil a tradição em grandes eventos nas duas últimas décadas, como o Pan de 2007 no Rio, a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio e a Copa do Mundo feminina de 2017, entre tantas outras competições.
Mas nem tudo passa por escolhas, que podem parecer óbvias. E nesse caso, o peso político do Paraguai de Camilo Pérez e até mesmo de Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, que conseguiu tornar o país uma sub-sede da Copa de 2020 jamais pode ser desprezado.
A diferença foi pequena, quatro votos, mesmo considerando que o Brasil tinha direito a dois votos contra um do Paraguai, já que o regulamento da eleição atribui valor dobrado ao voto dos países que já havia sediado o evento,
Outro fator contra o Brasil foi o fato de um recente troca na administração do Comitê Olímpico do Brasil (COB), admitida até mesmo pelo presidente Marco Laporta, que tomou posse no começo deste ano e que durante o Pan Júnior em Assunção, se apresentou para muitos dos membros da Assembleia Geral da Panam Sports.
A vitória paraguaia pode ter gosto amargo para os brasileiros. Mas considerando que eles lutam por essa condição há mais tempo que a candidatura Rio-Niterói, lançada há poucos meses, não é injusto e quem sabe sirva como reparação histórica.
Para quem não lembra ou não sabe, o país praticamente foi dizimado pela Guerra do Paraguai ((1864–1870), onde cerca de 70% da população do país morreu, além de parte do território ter sido "cedido" para Argentina e Brasil.
Que os paraguaios consigam realizar os Jogos Pan-Americanos da melhor forma possível e que a festa esportiva das Américas sirva para integrar os povos.



