
A decisão de Beatriz Haddad Maia em encerrar a temporada, antes dos grandes torneios na Ásia e da disputa da FedCup, vai muito além dos resultados.
Jogadora de reconhecido talento, Bia já foi top 10 do ranking mundial de simples e de duplas. Aliás, em outubro do ano passado ela estava no grupo das dez melhores.
Para muitos, especialmente os chamados haters, ela não tem capacidade ou preparo para estar entre as melhores. Mas é claro que eles estão nesse mundo apenas para mostrar o que há de pior no ser humano.
Já tive oportunidades de entrevistar a Bia e uma delas foi em um momento delicado para todos nós, a pandemia de covid-19.
Na época, ela estava encerrando o período de suspensão por doping, que segundo ela me disse "foi um tapa na cara, um susto", algo que a deixou "com o coração partido, estar longe do circuito, de não ter jogos, um objetivo concreto".
E aqui está o ponto. Bia é reconhecidamente a maior jogadora de tênis do Brasil depois de Maria Esther Bueno e Guga Kuerten. Não coloco João Fonseca neste rol, porque ele ainda terá que trilhar sua carreira.
Mas apesar de ter números, títulos em simples e duplas que a transformam nessa atleta, Bia parece não ser aceita por parte do público e até mesmo da imprensa, especialmente daquela que só acompanha resultados.
As causas de sua parada antecipada em 2025 são visíveis e a excessiva pressão a fez perder confiança, deixar de acreditar em si. Em vários momentos deste ano, ela mesmo citou "lutar contra alguns fantasminhas". Em seu último torneio, em Seul, sentiu-se mal, ficou sem conseguir respirar, quando estava por fechar o jogo de estreia. Nada físico, tudo psicológico.
Não sou especialista na área, mas tenho experiências pessoais que me fazem mergulhar um pouco nesse tema ainda envolto em muitos tabus. A saúde mental é algo que deve ser cada vez mais debatida e tratada como questão de saúde pública.
Em uma época onde a expressão "mimimi" surgiu com força por conta do aparecimento de algumas pessoas que parecem estar de volta à Idade Média, falar sobre ainda soa como algo vergonhoso, mas não é.
Por isso, quando Bia escreveu que quer "descansar por um maior período o corpo e a mente", não só devemos respeitar a decisão, como também buscar os motivos.
Uma pessoa não para, apenas por parar. Algo está errado com ela quando esta é a decisão e é necessário ajuda de especialistas.
Mas por ora, descanse Bia Haddad, pois o tênis e o esporte brasileiro precisam muito de você. Por isso, descanse o quanto for preciso e volte forte, com um sorriso no rosto e sem a necessidade de provar algo, pois você já é uma vencedora. E como você mesmo disse, até 2026.




