
Em abril, logo após Hugo Calderano vencer a Copa do Mundo de tênis de mesa, enfileirando vitórias sobre os três primeiros do ranking mundial, escrevi neste mesmo espaço sobre o triunfo.
"As lágrimas de frustração em Paris viraram lágrimas de alegria para Hugo Calderano", afirmei, numa referência ao que eu havia testemunhado na Arena Paris Sul durante as Olimpíadas. Logo após o brasileiro perder a disputa da medalha de bronze, ele simplesmente desabou num choro convulsivo.
Pressionado pelo público, que cobra resultados apenas nas Olimpíadas, mas que sequer conhece o trabalho dos atletas, Hugo também sofreu com as próprias cobranças e acabou sucumbindo quando a tão sonhada medalha parecia algo tão próximo.
Pois agora, o carioca de 29 anos engatou uma sequência espetacular e, neste momento, além de ser o número 3 do ranking, acumula 26 vitórias seguidas e quatro títulos em cinco finais individuais no ano, chegando a 10 conquistas na carreira.
O que mudou
A guinada de Calderano parece ter começado ali, naquele 4 de agosto de 2024, em Paris. Algumas mudanças aconteceram de lá para cá e ele se tornou um jogador mais leve e menos tenso, mas com a mesma capacidade de improvisar e solucionar situações difíceis — como resolver um cubo mágico debaixo d'água, algo que, aliás, ele já fez. Desde então, Calderano passou a encantar a todos e a preocupar os chineses, até então imbatíveis.
O talento sempre esteve presente, mas faltava vencer algo grande e a Copa do Mundo teve esse efeito. Trocas na comissão técnica particular e até na seleção também parecem ter tirado dele o peso gigantesco de ter que ser o que todos esperavam dele desde sempre.
Fórmula do sucesso
A fase positiva de Hugo Calderano é tão boa que até mesmo Bruna Takahashi cresceu em resultados e confiança. Os dois assumiram publicamente um relacionamento em fevereiro e o casal "Caldeashi" conquistou o primeiro título em um torneio em Buenos Aires, após um vice na Eslovênia.
A mescla de talento, cabeça no lugar e coração pulsando por um novo amor parecem ser a fórmula de sucesso de Calderano.
Que a dupla brasileira siga mostrando que "sorte no jogo, azar no amor" é apenas um dito popular, sem qualquer comprovação científica, para que em Los Angeles-2028 possamos comemoram feitos históricos com eles.



