
Por trás do nome artístico MC Meno K está Kauan Soares, um guri que começou na música aos 14 anos, e, aos 20, é considerado um dos grandes expoentes do funk nacional. Natural do bairro Rubem Berta, na zona norte de Porto Alegre, é o segundo artista mais ouvido do Brasil no Spotify atualmente, reunindo 22 milhões de ouvintes mensais e oito músicas simultaneamente viralizadas no Top 50.
O artista, que está morando em São Paulo, começou a fazer sucesso, ainda em Porto Alegre, com as faixas Camisa do Grêmio, Camisa do Flamengo e Cabelinho na Régua. Em 2022, virou notícia nacionalmente após sofrer uma tentativa de homicídio, aos 16 anos, na saída de uma casa noturna em Alvorada, na Região Metropolitana.
Hitmaker
De lá para cá, MC Meno K coleciona hits, como Set do Japa NK 2.0, Famosinha e Amo Minha Favela. O maior destaque é Posso Até Não Te Dar Flores, atualmente a faixa mais ouvida do país, que já ultrapassa 215 milhões de plays nas plataformas. A música é uma parceria com DJ Japa NK, MC Ryan SP, MC Jacaré e DJ Davi DogDog.
Jetski, feat de MC Meno K com Pedro Sampaio e Melody, é outro fenômeno nacional e está no Top 2. A faixa já ultrapassa 30 milhões de streams, além de impulsionar mais de 50 mil vídeos criados no Instagram e 140 mil no TikTok. O sucesso levou a música ao ranking mundial do Spotify, alcançando a posição 122, além de conquistar o segundo lugar em Portugal. Além disso, já é apontada como o grande hit do verão de 2026. O sucesso da parceria também se reflete nas redes sociais, com famosos entrando na trend da coreografia, como Marina Ruy Barbosa, Lore Improta, Maisa, Pocah e Vanessa Lopes. Os hits Diário de um Cafajeste, Gauchinha e A Firma Segue Lucrando completam a sequência de sucessos.
No YouTube o artista ultrapassa 740 mil inscritos e acumula mais de 270 milhões de visualizações em seu canal oficial, enquanto no Instagram reúne mais de 2,5 milhões de seguidores.
Em entrevista exclusiva à coluna, o jovem artista gaúcho repercute o bom momento na carreira.
Como recebeu a notícia de estar entre os artistas mais ouvidos do Brasil? Minha equipe me avisou e, na hora, eu fiquei sem reação. É algo que a gente sonha e trabalha todos os dias para conquistar, mas, quando acontece de verdade, a emoção vem forte. Lembrei de onde eu vim, da minha família, da favela onde eu cresci, e tive a certeza de que todo esforço, cada passo dado até aqui, realmente estão valendo a pena.
Entrar no ranking mundial é um marco. O que esse momento representa para ti?
Representa a certeza de que o funk não tem fronteiras. Um moleque de Porto Alegre levar sua música para o mundo mostra a força da nossa cultura e o quanto o funk está chegando longe, até em lugares onde antes não tinha espaço. Para mim, é um passo gigante na carreira e uma vitória importante pra nossa história.

Esperava que suas músicas alcançassem essa proporção tão rapidamente?
Esperar a gente sempre espera, porque trabalha acreditando, mas confesso que tudo aconteceu muito mais rápido do que eu imaginava. Acho que quando a música é verdadeira e quando tem uma equipe incrível por trás na produção, o público sente. As coisas foram acontecendo naturalmente, uma música puxando a outra e, hoje, quando eu paro para olhar tudo isso, ainda parece surreal viver esse momento.
Como foi ver seu nome entre os mais ouvidos do mundo? Caiu a ficha?
Demorou pra cair, confesso. Você olha o ranking, vê seu nome ali e custa acreditar que é real. Ainda não tenho total noção da grandeza disso tudo, mas é uma sensação única, algo que marca a vida e a carreira para sempre.
O que torna seu som tão conectado com o público, não só no Brasil?
Acho que o som chega na galera de verdade. Tem gente que se conecta pelo ritmo, pela batida, e tem gente que se identifica com a letra, com a história que está sendo contada. Eu faço som pensando nisso, em quem escuta de verdade, e quando isso acontece, o sucesso vem naturalmente.
O post da Marina Ruy Barbosa te surpreendeu? Como foi a repercussão depois disso?
Surpreendeu demais. Depois do post dela, a música ganhou ainda mais alcance e mostrou que o funk está em todos os lugares. Gente de todos os lados, gêneros e classes começou a ouvir, curtir e compartilhar, até pessoas que eu nunca pensei que meu trabalho fosse alcançar. Jetski acabou sendo um acerto gigante. Trabalhar com o Pedro Sampaio e a Melody só reforçou essa energia. Foi incrível ver todo mundo entrando na vibe e fazendo parte da música junto com a gente.
Acredita que esse tipo de apoio de figuras públicas ajuda a abrir mais portas?
Cara, com certeza ajuda. Ajuda a dar visibilidade, a quebrar preconceito e mostra que funk é cultura e trampo sério. No fim, quem segura tudo isso mesmo é o público.
O que mudou na sua rotina desde que estourou no streaming?
Mudou tudo, papo reto. Minha agenda está lotada, tenho show quase todo dia, viagens, gravações, estúdio. Mas estou tentando seguir uma rotina normal, sabe? Continuo vendo minha família, amigos, tentando não perder minha essência. É muita coisa rolando ao mesmo tempo, principalmente nesse momento, mas estou aproveitando cada segundo e aprendendo a lidar com tudo isso sem me perder.
Tem novos projetos ou feats vindo por aí? Pode adiantar alguma coisa?
Tem muita coisa boa vindo, mano. Vários feats, músicas novas, clipes chegando… 2026 vai ser pesado nesse ritmo. Ainda não posso soltar tudo, mas o público pode esperar coisa nova e de qualidade como sempre.
Que mensagem deixaria para a gurizada que se inspira na sua trajetória?
Acredita no sonho e não desiste, mano. Não é fácil, mas dá para chegar lá. Trabalha, respeita tua origem, lembra de quem te fortaleceu desde o começo e segue firme. O funk também vence, e a gente mostra isso todo dia.




