Chegamos às quartas de final da Copa sem o Brasil. Aí uns perguntam pros outros, né? "E agora tu vai torcer pra quem?" Há quem seja categórico. Pra ninguém. "A minha seleção é uma só e sem ela acabou a Copa." Eu até simpatizo com essa ideia, mas a verdade é que quando o Brasil sai, eu viro torcedora profissional de carteirinha do azarão.
Eu sempre escolho o time que nunca ganhou, o que tem menos tradição. Eu torci muito por Senegal, que esteve a minutos ali de uma classificação histórica antes de cair na prorrogação. Eu torci demais por Cabo Verde, que acabou caindo fora na prorrogação.
Eu torci por quem olhou para os gigantes do outro lado sem se sentir pequeno. É que azarão carrega uma coisa que o favorito não tem, a possibilidade do inédito. Só que a Copa também é cruel com os sonhadores, viu?
Ela vai afunilando, as camisas pesam sim, a tradição entra em campo sim. E quando a gente percebe, os mesmos de sempre estão lá de novo. Em 22 edições de Copa do Mundo, só oito países foram campeões. Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, França, Uruguai, Inglaterra e Espanha.
O mundo inteiro cabe dentro de uma Copa, mas a taça quase sempre cabe só nas mesmas mãos. Ainda assim, eu continuo torcendo pelo improvável, pelo time que nunca ganhou, pelo que chega desacreditado, pelo azarão.
Que vamos combinar que nem devia ter esse nome? Porque pra mim é uma baita sorte confirmar que a maior beleza do futebol é justamente saber que a gente sempre pode se surpreender.
Quer notícias, bastidores, vídeos e análises da Copa do Mundo?🏆Inscreva-se na newsletter exclusiva de GZH e receba tudo direto no seu e-mail 📩 Clique aqui para se cadastrar




