Tu prefere ter razão ou ser feliz? Eu não tenho dúvida. Ser feliz. Eu escolho a emoção sempre. Menos na semifinal de hoje da Copa do Mundo. Que teve Inglaterra, a razão do pragmatismo, do rigor tático, da disciplina.
Compatível com a pontualidade britânica, filas respeitadas, rituais da realeza. "Keep calm and carry on". Ou seja, controle suas emoções. E que teve a Argentina. Pura emoção, mais do que técnica, raça, na resiliência das viradas dramáticas e a inspiração mágica do Messi.
Tudo combina bem com o assado que atravessa a tarde, com o mate que passa de mão em mão, com um abraço fácil. Na torcida da razão, "Wonderwall", cantado afinado, com calma, em perfeita sintonia. Na torcida da emoção, gritos intensos, quase viscerais, como se cantar, mesmo perdendo, fosse uma questão de sobrevivência.
Sim, eu sou do time da emoção, mas hoje eu fui de Inglaterra. Eu sequei a Argentina, mesmo adorando o Messi. É que às vezes tudo fica meio confuso mesmo. Por mais que pareçam absolutamente distintas, as histórias se misturam.
Se a gente pensar que um dos maiores de todos os tempos foi exemplo disso nessa Copa, fica fácil de entender. Mesmo sendo argentino, o Messi sempre foi frio no que diz respeito a demonstrar emoções. Pois nos Estados Unidos ele vibrou, ele chorou, ele se emocionou demais.
Na história também, foi justamente a fria Inglaterra que ajudou a moldar a parte da identidade quente argentina, inclusive no futebol. É que talvez a vida nunca tenha pedido para a gente escolher de verdade entre razão e emoção. Porque as histórias mais bonitas podem nascer justamente quando as duas resolvem jogar no mesmo time.
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