Vamos lá, o meu filho tira a nota 3 na prova. Eu, imediatamente, ligo para a escola e digo: "Olha, eu achei injusto, troca aí por 8". Eu sou demitida. E o meu pai aparece na empresa onde eu trabalhava e avisa que não concorda. "Ela fica. Ponto final."
Parece piada, né? Mas foi mais ou menos isso que a gente viveu na Copa do Mundo de 2026. O principal jogador dos Estados Unidos foi expulso em um jogo. O presidente Donald Trump não concordou com a decisão do árbitro em campo. Procurou o presidente da Fifa, pediu a suspensão no cartão vermelho e foi atendido.
O Balogun jogou as oitavas de final contra a Bélgica. E ainda assim, o time dele foi eliminado. Time que surpreendeu, fazendo uma baita campanha, encantando torcedores que nem são assim grandes fãs do futebol. O bom futebol poderia ser a única memória da participação da seleção anfitriã.
Mas apareceu a velha ideia de que, para alguns, basta um telefonema para mudar o placar da vida. Só que esse placar conta diferente. No mesmo dia da eliminação americana, uma outra despedida veio para provar que não tem canetaço que supere a dedicação e o comprometimento absoluto.
O Cristiano Ronaldo deixou a sua última Copa sem conseguir conquistar esse título, mas deixando um legado construído não pela imposição, por privilégios, por atalhos, e sim por muito trabalho, por treinar mais e mais, mesmo já sendo o melhor, com a disciplina como valor essencial.
No mesmo dia, Estados Unidos e Portugal se despediram da Copa e deixam duas formas muito diferentes de entender e de se relacionar com o poder. O poder que tenta dobrar as regras e o poder que inspira justamente porque aceita as regras, trabalha dentro delas e faz delas o caminho para a grandeza.
É esse segundo poder que permanece quando o jogo termina.
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