
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, minimizou nesta quarta-feira (31) o anúncio de que a China vai taxar em 55% as importações de carne bovina que ultrapassarem determinadas cotas de países como Brasil, Argentina e Estados Unidos. As informações são do g1.
Em entrevista à TV Globo, Fávaro afirmou que a medida "não é algo tão preocupante": "Neste governo do presidente Lula, abrimos 20 mercados para carne bovina por todo o mundo, mais ampliações de mercados que já eram abertos. Portanto, o Brasil está relativamente preparado para intempéries comerciais", destacou o ministro.
No primeiro semestre deste ano, por exemplo, Lula viajou à Ásia e negociou a abertura do mercado do Vietnã para carne bovina brasileira.
Fávaro declarou ainda que, embora a taxação adicional não gere temor no governo, vai negociar os termos da medida com as autoridades chinesas nos próximos dias. Segundo o ministro, a relação do Brasil com a China "nunca esteve tão boa e assim vai continuar".
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliaram, em nota, que o tarifaço chinês "impõe uma reorganização dos fluxos de produção e de exportação".
Entenda a nova taxação
A partir desta quinta-feira (1º), a China vai aplicar tarifa de 55% sobre carne bovina brasileira se a importação ultrapassar a cota de 1,106 milhão de toneladas, segundo comunicado emitido nesta quarta-feira (31) pelo Ministério do Comércio da China.
Além do Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, as exportações da Argentina, Uruguai e Estados Unidos serão afetadas pela medida.
A título de comparação, neste ano no acumulado até novembro, as exportações brasileiras de carne bovina para o país asiático somaram cerca de 1,5 milhão de toneladas, crescimento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. A tarifa adicional vai durar até 31 de dezembro de 2028.
A adoção de medidas de salvaguarda pela China era vista como "iminente" pelo governo e pelo setor produtivo brasileiro. O governo chinês já havia sinalizado, em 2024, que adotaria as cotas e tarifas sobre a importação do produto para proteger a indústria local.


