
Eles são meticulosos, extremamente observadores, especialistas técnicos ou com notório saber. Eleitos a dedo pelas associações de criadores de raças, os jurados trabalham discretamente, por vezes no anonimato. São seus olhares apurados e criteriosos que definem os animais a ganharem a tão cobiçada escarapela – a roseta símbolo de um grande campeão da Expointer.
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No julgamento da raça ovina corriedale nesta segunda-feira (28), uma cena pouco comum: dois jurados dividindo o mesmo espaço – normalmente, reservado a apenas uma pessoa. Enquanto um analisava o comprimento do tronco do animal, importante para a quantidade de carne, o outro avaliava a qualidade da lã. O argentino Antonio Linares e o brasileiro João Degrazia Matas Solés foram designados pela segunda vez para avaliar juntos os ovinos da raça – com aptidão para produção de carne e de lã. A primeira foi em 2015.
– Temos de chegar em um consenso. O bom é que pensamos parecido – brincou o zootecnista argentino, vindo da Província de Buenos Aires.
Jurado da raça corriedale em feiras argentinas desde o final da década de 1960, Linares une sua experiência a do agrônomo Solés, que julga ovinos no Rio Grande do Sul desde 1975.
Ambos acompanharam a evolução genética dos animais nas últimas quatro décadas.
– Essa união é importante para integrar as características comuns buscadas pela raça em países vizinhos – disse Solés.

Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e com linhas de pesquisa sobre búfalos, o zootecnista Harold Ospina Patino foi o eleito para julgar os 12 bubalinos expostos. Colombiano naturalizado brasileiro, o especialista avaliou na segunda-feira (28) os exemplares das raças murrah, de origem indiana, e mediterrâneo, de procedência italiana.
– As características dos animais revelam aptidões que irão resultar em carne e leite de melhor qualidade – explica Patino, citando a tradicional mussarela de búfala.
Responsabilidade ao avaliar investimento de anos
Jurado há mais de 20 anos, o veterinário e inspetor técnico Flávio Montenegro Alves tem a responsabilidade de julgar mais de 200 animais da raça angus, 110 de argola e 96 rústicos – o maior número de exemplares entre os bovinos inscritos em 2017.
– Não estamos só avaliando animais, mas trabalho e investimentos de anos. É preciso seriedade e imparcialidade – diz Alves.
Essa é a terceira vez que o jurado é escolhido pelos criadores angus para avaliar os animais de ponta. A primeira foi em 2010 e a segunda em 2014. Em duas décadas, o veterinário acumula mais de 50 julgamentos de raças bovinas em diversos Estados e também no Uruguai e na Argentina.
– A gente nunca vai ser unanimidade. Por isso é preciso coerência e neutralidade do começo ao fim – diz Alves, que ministrará curso sobre como julgar animais da raça angus na próxima sexta-feira, na Expointer.

