
O período entre a colheita e o próximo plantio costuma ser tratado como uma pausa no campo. No entanto, esse momento pode ser um dos mais estratégicos dentro do ciclo produtivo. Nesse período, o produtor pode corrigir falhas do manejo anterior, impedir a produção de novas sementes por plantas daninhas remanescentes e reduzir a infestação da área antes da implantação das culturas de inverno.
Essa técnica é conhecida como manejo outonal e integra o conjunto de Boas Práticas Agrícolas (BPA). A estratégia reduz a infestação de plantas daninhas antes da implantação das culturas de inverno e ajuda a controlar espécies resistentes ou de difícil manejo, como buva, capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, capim-rabo-de-burro, caruru, corda-de-viola, cravorana, poaia, trapoeraba e vassourinha-de-botão.
O engenheiro agrônomo e professor da Universidade de Passo Fundo (UPF), Mauro Rizzardi, explica que, no outono, como as plantas daninhas estão menores, a quantidade de herbicidas necessária para o controle é menor em comparação à primavera, quando as plantas estão mais desenvolvidas.
— Além disso, o controle realizado no outono atrasa novos fluxos de emergência de plantas daninhas, reduzindo a presença dessas espécies na época de semeadura da soja, na primavera e no verão. Tanto a redução da infestação quanto a presença das plantas menores favorecem o controle, reduzem a dependência de herbicidas e diminuem os custos — diz o docente.
Educação no campo
O acesso a informações técnicas tem se tornado parte importante da gestão das propriedades rurais. Materiais educativos ajudam os produtores a identificar riscos, aperfeiçoar manejos e apoiar a tomada de decisões.
A Cartilha de Pragas Quarentenárias, elaborada pela Corteva em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e com o apoio do professor Mauro Rizzardi, é um exemplo do compromisso da empresa com a educação no campo.
— Ao ter esse conhecimento técnico de forma acessível e visual, o agricultor consegue agir diante das primeiras suspeitas, realizando o monitoramento correto, isolando o foco de infestação e acionando os órgãos de defesa sanitária e a assistência técnica antes que o problema se alastre. Assim, esses materiais funcionam como uma primeira linha de defesa, preservando a sanidade da lavoura, protegendo o investimento do produtor e evitando que a introdução de pragas, como as quarentenárias, comprometa a produção e o status sanitário de toda uma região — diz Rizzardi.
O manejo de plantas daninhas continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelos produtores rurais, especialmente diante do aumento de espécies tolerantes ou resistentes a diferentes mecanismos de ação dos herbicidas. Esse cenário exige uma abordagem cada vez mais estratégica para preservar a eficácia das ferramentas disponíveis e possibilitar a produtividade das lavouras.
De acordo com Jair Maggioni, coordenador de BPA (Stewardship) da Corteva Agriscience para Brasil e Paraguai, o controle dessas espécies depende da adoção de um manejo integrado e preventivo.
— O manejo outonal facilita a adoção dessas estratégias, possibilita o controle mais eficaz das plantas daninhas e diminui a propagação dessas espécies, com consequente redução da infestação nas culturas semeadas em sucessão. Como consequência, o produtor terá sua produção com menor presença de sementes de plantas daninhas, que poderiam afetar a sua comercialização — complementa Maggioni.
Capacitando os produtores
Capacitações e treinamentos em BPA promovidos pela Corteva conectam a tecnologia disponível no campo ao seu uso correto e eficiente. Mais do que apresentar soluções e produtos, as iniciativas formam produtores rurais, técnicos agrícolas e outros profissionais da cadeia produtiva, incentivando práticas que aumentam a produtividade das operações e promovem a sustentabilidade da atividade agrícola.
As BPA reúnem ferramentas e procedimentos técnicos, operacionais e de gestão que orientam o produtor a conduzir as atividades com responsabilidade ambiental, viabilidade econômica e em conformidade com a legislação. Os treinamentos oferecem conhecimento prático e atualizado para apoiar a tomada de decisões no dia a dia da propriedade.
— Para o agricultor, ter o domínio técnico dessas práticas traz previsibilidade e tranquilidade no planejamento da safra, auxiliando-o em momentos desafiadores, mitigando possíveis problemas operacionais e perdas financeiras e tendo como resultado uma produção mais sustentável e rentável a longo prazo — complementa o professor da UPF.



