Opinião da RBS

Jovens fora da escola

O país não pode se conformar com o fato de tantos adolescentes sem consciência sobre a importância do estudo como forma de ascensão social se encontrarem longe da sala de aula


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As razões são conhecidas e diversificadas, mas o que mais impressiona em estudo de âmbito nacional recém divulgado pelo Instituto Ayrton Senna é o fato de o Brasil ter tantos jovens entre 15 e 17 anos de idade fora da escola _ cerca de 22% do total, com base nos últimos dados disponíveis. Incluí-los, universalizando o ensino nessa faixa etária, levaria uns dois séculos, se fosse mantido o ritmo dos últimos 15 anos. Por isso mesmo, é preciso que educação se transforme logo em prioridade imediata, a começar pelos candidatos que, no próximo ano, sairão novamente às ruas em busca de votos. O país não tem como alcançar o nível de desenvolvimento das demais economias globais se não garantir educação de qualidade para todos.

Numa economia em crise, essa é uma situação que deve se agravar ainda mais, se nada for feito para enfrentá-la.

Nos cálculos do economista Ricardo Paes de Barros, responsável pelo estudo, nada menos de 56% dos estudantes entre 15 e 17 anos hoje na escola estão atrasados, cursando ainda o ensino fundamental. Nada menos da metade dos que abandonaram a escola tomaram a decisão antes de chegar ao ensino médio. Num quadro dessas proporções, já não é suficiente pensar apenas em incluir. É preciso também manter o interesse dos alunos nas aulas, justamente o que não vem ocorrendo por diferentes razões. Algumas delas estão dentro da escola, como o despreparo dos professores e a falta de atração pelos conteúdos. Outras, fora, como razões financeiras, que levam muitos a procurar uma atividade remunerada antes de se tornarem adultos. 

No Brasil,  a obrigatoriedade de matrícula escolar nessa faixa etária tornou-se constitucional apenas em 2009, com prazo final até o ano passado. Como é comum ocorrer nessa área, o prazo, reafirmado em 2014 pelo Plano Nacional de Educação (PNE), não chegou a ser cumprido. A reforma do ensino médio, recém aprovada, procura tornar essa etapa mais flexível e aproximá-la dos interesses dos adolescentes. Ainda assim, precisa ser complementada pela base curricular comum para esse estágio, e os resultados tendem a demorar. 

Numa economia em crise, essa é uma situação que deve se agravar ainda mais, se nada for feito para enfrentá-la. O país não pode se conformar com o fato de tantos adolescentes sem consciência sobre a importância do estudo como forma de ascensão social se encontrarem longe da sala de aula. Um dos méritos do estudo é o de apontar saídas, como atendimento individualizado e melhoria do ambiente escolar. É preciso priorizá-las de fato, e já.

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