O Rio Grande que dá certo

Alimentos de empresa gaúcha caíram no gosto de mais de 60 países

Conservas Oderich, de São Sebastião do Caí, produz cerca de 200 itens, divididos em carnes, condimentos, vegetais, atomatados, maionese e compotas

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O diretor comercial Marcos Oderich diz que os produtos atendem aos consumidores mais exigentes e aqueles que procuram refeições rápidas e baratas

No início do século passado, a figura do caixeiro-viajante ou do mascate era necessária para levar os produtos manufaturados de grandes centros para comunidades rurais. E foi nesse trabalho que Adolfo Oderich, nascido em Wittenburg, norte da Alemanha, decidiu fundar o negócio que mudaria sua história e colocaria o nome da família na história industrial gaúcha.

Oderich levava às comunidades alemãs e italianas da Serra itens como roupas, querosene e ferramentas. Em troca, trazia banha de porco, muito procurada na Capital. Como a qualidade não era homogênea, decidiu fundar sua própria fábrica de refino de banha. O ano era 1908 e a cidade, São Sebastião do Caí. Com a demanda garantida, o empresário mandou o filho Carlos Henrique para a Alemanha, a fim de estudar a produção de embalagens em lata.

A partir daí, a Oderich começou a crescer no segmento de enlatados e foi criando e aperfeiçoando produtos de acordo com os mercados. Os primeiros eram linguiças na banha, logo seguidas pelos chorizos e paios.

Na década de 1930, a empresa se associou a outras do ramo, formando um frigorífico em Canoas, denominado Frigorificos Sul Nacionais S/A, que passou a se destacar no setor. No entanto, na época da II Guerra Mundial, os países que disputavam o conflito vislumbraram, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e em países como Argentina e Uruguai uma oportunidade de produzir enlatados de carne em conserva (corned beef), com alto teor de proteína, para sustentar os soldados. Para isso, multinacionais chegaram ao sul do Brasil e passaram tirar mercado das empresas locais. A Oderich, que tinha uma filial em Lajeado, foi obrigada a fechar a unidade.

Empresa pretende aumentar as exportações em 10%

A época de crise obrigou a empresa a abrir capital, transformando os credores em sócios. A partir da quarta geração da família, os negócios começaram a mudar. Marcos Oderich, bisneto do fundador, chegou no início dos anos 1980 à empresa, que tinha cerca de 200 empregados. Os poucos recursos que sobravam eram aplicados na produção. Com o decorrer dos anos, com a situação financeira mais estável, a fábrica passou a diversificar seus produtos, pois, até então, quase 70% das vendas era de salsichas enlatadas.

- Fazemos produtos básicos, mas que atendem aos consumidores mais exigentes e aqueles que procuram refeições rápidas e baratas - diz Marcos.

VÍDEO: Confira a receita de Marcos Oderich para o Rio Grande do Sul dar certo.



O negócio voltou a se tornar lucrativo e a empresa investiu em outras unidades. No final dos anos 90, adquiriu uma planta em Pelotas, onde fabrica legumes e frutas enlatadas. Em Eldorado do Sul, passou a produzir as latas e, em Orizona (GO), produtos como abacaxi, milho e ervilha. Hoje, são mais de 200 itens, divididos em carnes, condimentos, vegetais, atomatados, maionese e compotas.

As exportações, que correspondem a 40% do volume produzido, são feitas para mais de 60 países.

Segundo Marcos, a justificativa é que cada país tem um gosto diferente:

- Os fiambres bovinos e as mortadelas são procuradas na África. As salsichas congeladas agradam aos países do Caribe e o milho verde caiu no gosto dos argentinos - revela o diretor.

E alguns produtos, mesmo parecendo estranhos ao gosto brasileiro, transformaram-se em sucesso lá fora. Um deles é o enlatado de carne de porco com aipim, que, conforme Marcos, chegou a ser ridicularizado quando do lançamento. Só que o produto tornou-se muito procurado em Angola.

Próximo a receber a quinta geração da família, a Oderich, que completa 105 anos de atividades neste mês, tem planos de avançar para o mercado do Leste Europeu e do Oriente Médio. Para isso, participará de feira no Curdistão, próximo ao Iraque.

Neste ano, a empresa pretende aumentar as exportações em 10% e avançar 15% em faturamento, com receita próxima de R$ 410 milhões.

O perfil

Fundação: agosto de 1908

Localização: São Sebastião do Caí

Descrição: fábricas de conservas enlatadas e de latas para alimentos e produtos químicos

Faturamento em 2012: R$ 370 milhões

Projeção de faturamento para 2013: R$ 410 milhões

Número de funcionários: 2,4 mil diretos e mais de 8 mil indiretos

Principais produtos: segmentos de carnes, legumes, atomatados, temperos, frutas, picles, doces de corte, pratos prontos, além de produtos institucionais enlatados para merenda escolar, Forças Armadas e FAO e latas vazias

Países exportados: mais de 60 nações (África, Ásia, Oriente Médio, América Central, Leste Europeu e América Latina, com destaque para Angola, Emirados Árabes Unidos, Austrália, Líbano, Jordânia, Iraque, Cuba, Panamá, Argentina, Uruguai, Gambia, Guiné e Dinamarca

Capacidade de produção: 400 toneladas de produtos diariamente

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