
As chuvas intensas causadas pelo El Niño serão mais intensas no sul do país na primavera, apesar de o pico do fenômeno climático ser esperado para o verão, entre dezembro e janeiro. A projeção é do climatologista e coordenador de Pesquisa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo. Em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, na manhã desta terça-feira (18), o pesquisador explicou que o norte e o nordeste brasileiro serão mais impactados pela chuva no pico.
— Em termos de temperaturas, todo o Brasil vai ser afetado, talvez a situação no Rio Grande do Sul e em outras regiões, em termos de verão mais quente, no próximo ano pode ser que ocorra — estimou.
Comparando com anos anteriores, o especialista aponta que a Região Sul é a primeira a experimentar os reflexos já na primavera, mas reconhece que alguns casos de chuva no meio deste ano já mostram sinais do El Niño.
Marengo mencionou que as mudanças bruscas de calor e frio sentidas neste ano fazem parte de uma transição que está acontecendo. O climatologista esclareceu que o aquecimento do Oceano Pacífico tropical já começou e deve se dissipar somente em maio de 2027.
Ele ressaltou, no entanto, que sempre chuvas intensas e tornados são fenômenos meteorológicos locais que não necessariamente são consequências diretas do El Niño.
— É uma transição que está acontecendo. Sempre acontece frio, chuvas intensas independentes do El Niño. Então, por exemplo, nós tivemos vários tornados. Esses fenômenos, geralmente não são consequências do El Niño. Acontecem até terremotos na Colômbia, na Venezuela, que muitos acham que é o El Niño, mas não quer dizer — destacou o especialista.

