Um lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) foi visto se alimentando próximo à Trilha do Mirante, no Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul. O registro do animal aconteceu na área que integra o complexo de cânions dos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral e foi divulgado na quarta-feira (8).
De acordo com a bióloga e pesquisadora Juliana Nascimento Martins, do Instituto Guarabaio, essa é a primeira captura de um lobo se alimentando de um tatu — representando um marco para estudiosos da espécie.
Ainda conforme a especialista, é nos Campos de Cima da Serra onde vive a única população conhecida de lobos-guarás no RS, monitorada de perto por pesquisadores e gestores dos parques.
Raro no RS
O lobo-guará é um dos maiores símbolos do Cerrado brasileiro e é uma espécie extremamente rara no Rio Grande do Sul, conforme Juliana.
Segundo ela, Cambará do Sul é o único município gaúcho onde há uma população conhecida da espécie sendo acompanhada de forma contínua desde 2023.
Ainda segundo Juliana, qualquer informação sobre "comportamento, alimentação, uso do habitat e período de atividade" são essenciais para orientar futuras estratégias de conservação:
— Qualquer pessoa pode colaborar com a conservação ao registrar a fauna de forma responsável e compartilhar essas informações com pesquisadores e gestores das unidades de conservação.
Criticamente em perigo
— No Rio Grande do Sul, o lobo-guará está classificado como criticamente em perigo, a categoria mais elevada de ameaça antes da extinção na natureza. Isso significa que sua população no Estado é muito pequena e vulnerável — afirma Juliana.
A bióloga explica que a caça influenciou no desaparecimento da espécie em grande parte do território gaúcho. Porém, atualmente, os maiores desafios estão relacionados à "perda e à fragmentação dos habitats naturais".
O lobo-guará costuma habitar ambientes campestres e "depende de campos nativos, áreas úmidas e banhados para encontrar alimento, abrigo e se deslocar entre diferentes áreas". No entanto, alterações constantes nesses locais diminuem as chances de sobrevivência da espécie.
Outra causa de mortalidade que contribui para a extinção dos lobos-guarás é os atropelamentos em rodovias e a transmissão de doenças por cães domésticos, que podem afetar populações pequenas da espécie.
Vi um lobo-guará, e agora?
Caso um visitante de uma unidade de conservação cruze o caminho de um lobo-guará, a principal orientação de Juliana Martins é manter calma e respeitar o espaço do animal.
O ideal, segundo a bióloga, "é observá-lo à distância, sem tentar se aproximar, alimentá-lo ou interferir no seu comportamento natural". Ela ressalta que, caso seja possível ser feito uma foto ou vídeo do animal sem perturbá-lo, o material pode ser "muito valioso" para pesquisadores e para a gestão dos locais.
— Encontrar um lobo-guará na natureza é uma experiência rara e um privilégio. A melhor forma de contribuir para sua conservação é apreciar esse momento com respeito, permitindo que o animal siga seu caminho naturalmente — finaliza.
*Com supervisão da editora Estfany Soares




