
Na manhã desta terça-feira (16), 12 cidades registraram temperaturas negativas no Rio Grande do Sul. O avanço de uma forte massa de ar polar alterou o cotidiano dos gaúchos.
A cidade mais gelada do Estado foi São Francisco de Paula, na Serra, onde os termômetros marcaram -3,7°C. Vânia de Oliveira, que mora há mais de 50 anos no município, conta o desafio que foi sair da cama nesta manhã:
— Nunca é fácil acordar em São Chico, mas hoje foi bem mais difícil. Como a temperatura estava muito baixa, precisamos adotar estratégias para nos aquecer. Liguei o aquecedor antes de levantar, a estufa no banheiro e o chuveiro bem antes de entrar, além de usar duas meias, cachecol, touca e luva.
Vânia relata que a geada estava tão intensa que lembrava a paisagem de neve.
Água congelada na Fronteira Oeste e rotina alterada
Em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, os termômetros chegaram a -2,9°C. O morador Rafael Flores, de 30 anos, sentiu os efeitos da frente fria dentro e fora de casa:
— O amanhecer aqui foi congelante. Os canos de água da minha casa chegaram a congelar. E no meu emprego a situação é complicada: trabalhamos em uma esquina com os portões abertos, onde o vento sopra forte todo dia.

A terceira menor temperatura desta terça-feira foi registrada em Vacaria, também na Serra, com -2,5°C. Para a moradora Manoela Rosendo, os impactos do clima extremo vão muito além das roupas extras:
— A gente precisa acordar um pouco mais cedo para se agasalhar bem. Também saímos antes de casa porque é necessário ligar o carro com antecedência, deixando o motor aquecer para só então enfrentar o frio.
O avanço do frio no Estado
Além desses municípios, Soledade, São José dos Ausentes, Quaraí, Lagoa Vermelha, Caçapava do Sul, Hulha Negra, Lavras do Sul, Rosário do Sul e Caxias do Sul também registraram marcas abaixo de zero.
Nesta quarta-feira (17), a previsão indica que a massa de ar frio persistirá sobre o Estado. Nas primeiras horas do dia, a Serra Gaúcha deve registrar nova formação de geada, com elevação gradual dos termômetros ao longo da tarde.
Por Isabela Daudt e Luisy Kulzer
*Sob supervisão de Rodrigo Celente


