Você beberia uma água turva e com cheiro? Antes de sair pela torneira da sua casa limpa e segura, a água passa por processos químicos e físicos que garantem qualidade e segurança. Essa engrenagem quase invisível previne doenças como diarreia, hepatite e cólera.
Para entender esse caminho, visitamos a Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Branco, em Canoas, na Região Metropolitana. Por lá, a rotina revela o longo trajeto que o recurso percorre diariamente para cumprir os padrões exigidos pelo Ministério da Saúde e pelo Novo Marco Legal do Saneamento.

O que torna a água potável?
Segundo portaria do Ministério da Saúde, o controle de qualidade da água avalia seis parâmetros principais:
- Microbiológico: ausência de Escherichia coli e limites rígidos para coliformes totais.
- Turbidez: controle de partículas em suspensão que deixam a água opaca.
- Substâncias químicas: limites seguros para metais, agrotóxicos e outros compostos nocivos.
- Cianotoxinas: monitoramento de toxinas produzidas por algas nos mananciais.
- Radioatividade: teto permitido para substâncias radioativas.
- Organoléptico: avaliação de gosto, cheiro, cor e aparência.
O caminho da água: da captação à torneira
No Rio Grande do Sul, A Corsan Aegea opera os sistemas de abastecimento de água e esgoto em 317 dos 497 municípios. Nos demais, os serviços são prestados por prefeituras ou autarquias locais.
Na região metropolitana de Porto Alegre, uma das principais estações de tratamento de água está localizada em Canoas e é responsável por abastecer metade do município de 347 mil habitantes. A ETA Rio Branco capta água do Arroio das Garças, um braço do Rio Jacuí, localizado no próprio município. A estação opera 24 horas por dia.

O ciclo completo de tratamento — da captação à distribuição — dura entre duas e três horas e segue sete etapas:
- Bombeamento e calha Parshall: a água bruta é bombeada para o topo da estrutura, onde ocorre a primeira adição de produto químico, o sulfato de alumínio, em uma calha que mede a vazão de líquidos.
- Coagulação e mistura rápida: nesta etapa o sulfato de alumínio promove a coagulação de toda a matéria orgânica presente na água bruta.
- Floculação: onde adiciona-se um agente auxiliar (polímero) que ajuda os flocos de sujeira a ganharem peso.
- Decantação: fase em que os flocos pesados caem para o fundo do decantador, enquanto a água clarificada é coletada por calhas superficiais.
- Filtração: etapa onde a água passa por filtros compostos por sete camadas de meios filtrantes.
- Desinfecção e fluoretação: após a filtração, a água recebe hipoclorito (agente desinfetante para eliminar microrganismos) e flúor.
- Reserva e distribuição: é a última etapa do processo, onde a água tratada é armazenada em reservatórios dentro da estação antes de ser distribuída para a cidade.
Além disso, ao longo deste processo, são realizados testes de gosto e odor que garantem a qualidade do trabalho.
Controle extra: a estação realiza análises microbiológicas laboratoriais duas vezes por semana para assegurar a potabilidade da água.
É seguro consumir água da torneira?
A Corsan garante que a água que sai da estação cumpre todas as exigências legais. Porém, a qualidade final depende também do consumidor.
Thaysse Machado, coordenadora de Qualidade de Tratamento de Água da Região Metropolitana, alerta para a necessidade de limpeza e conservação das caixas d'água residenciais:
— O hipoclorito, que é o agente desinfetante, é volátil. Se a água ficar parada na caixa por muito tempo, ele evapora. Com o calor e o baixo fluxo, a água perde essa proteção e pode voltar a ter proliferação de microrganismos — alerta.






