
Uma tartaruga-marinha foi devolvida ao mar na última terça-feira (11), após passar por tratamento e recuperação. A soltura ocorreu na praia de Tramandaí, próximo à plataforma da cidade do litoral norte do RS.
A reintrodução na natureza foi realizada após cerca de um mês de tratamento veterinário, realizado pela equipe do Centro de Recuperação de Animais Silvestres e Marinhos (Ceram). O órgão integra o Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e é referência neste tipo de trabalho no Estado.
O animal, da espécie tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), foi encontrado debilitado na praia de Mariluz, em Imbé, no litoral norte do RS, em outubro.
O resgate da tartaruga foi coordenado pela equipe da Secretaria de Meio Ambiente, Proteção Animal e Agricultura (Semmapa) de Imbé, que também encaminhou o animal ao Ceram/Ceclimar.
"A partir de exames, foi diagnosticado que o paciente apresentava sinais de afogamento. Após o tratamento e a recuperação da paciente, a tartaruga-marinha foi anilhada e solta na praia de Tramandaí", explicou o Ceclimar por nota.
Conforme a bióloga Carine Campos Trigo, integrante do Ceclimar e especialista em tartarugas-marinhas, o afogamento destes animais pode ser ocasionado, entre outras coisas, por encalhe acidental em redes ou anzóis de pesca.
— Ela pode ter ficado enrolada embaixo da água e não conseguir respirar, ficando asfixiada. Quando acontece isso, normalmente elas já aparecem sem vida na praia — explicou.

O projeto
O Centro de Recuperação de Animais Silvestres e Marinhos (Ceram) é um dos braços de atuação do Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O Ceram recebe animais silvestres e marinhos do litoral gaúcho e os reabilita para reintrodução na natureza. São, principalmente, pinguins, lobos-marinhos e tartarugas, que aparecem debilitados na região costeira do Estado, e às vezes, à beira da morte. Os bichinhos recebem cuidados veterinários, são alimentados e preparados para retornar ao habitat natural.
Criado em 1978, o Ceclimar tornou-se um marco na defesa do meio ambiente e na disseminação do conhecimento produzido no Rio Grande do Sul. Além do Ceram, a instituição possui um museu de Ciências Naturais e laboratórios de pesquisa.
Tartarugas-cabeçudas
A tartaruga-cabeçuda, também conhecida como tartaruga-mestiça, é uma espécie marinha classificada como vulnerável tanto pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) quanto pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) no Brasil.
Com distribuição em águas tropicais e subtropicais de todos os oceanos e, ocasionalmente, em regiões temperadas, essa tartaruga apresenta um ciclo de vida marcado por mudanças de habitat: os filhotes e juvenis menores vivem em alto-mar, enquanto os adultos e juvenis maiores preferem áreas costeiras.
No Brasil, pode atingir até 136 cm de comprimento de carapaça e pesar cerca de 180 kg. Seu casco é marrom-amarelado, composto por placas de queratina, e sua cabeça robusta abriga uma mandíbula poderosa, ideal para sua dieta carnívora, que inclui organismos gelatinosos na juventude e crustáceos na fase adulta.
Com cerca de 9 mil ninhos registrados por temporada no país, suas principais áreas de desova estão nos litorais do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe.
O que fazer ao localizar um animal debilitado?
O recomendado é ligar para as autoridades e registrar o ocorrido. As entidades responsáveis serão capazes de analisar a gravidade da situação e realizar os encaminhamentos veterinários necessários.
No RS, é possível ligar para a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram) e também contatar a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).
- Patrulha Ambiental (Patram): 190
- Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema): (51) 3288-7434




