
O primeiro dia da COP30, em Belém, superou desconfianças e mobilizou os líderes presentes. Com o desafio de contemplar interesses e demandas divergentes e amplas, o encontro, que agrega representantes de 194 países e da União Europeia, começou em tom otimista.
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, celebrou o consenso alcançado entre os países sobre a agenda oficial. Inicialmente prevista para conter cem itens, a pauta foi ampliada para 111 pontos prioritários.
Entre os temas que geraram impasse estavam financiamento climático para países em desenvolvimento, comércio internacional, revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), saúde e clima, além de condições especiais para a transição energética em países africanos. A questão energética, aliás, seguiu em pauta após ser o principal tema da Cúpula dos Líderes.
No primeiro dia do evento, houve avanço significativo na entrega das NDCs, que são planos para detalhar metas de redução de emissões de carbono. Segundo a plataforma Climate Watch, 111 documentos foram submetidos, representando 71% das emissões globais de gases de efeito estufa. Ainda assim, grandes emissores como Índia, Irã e Arábia Saudita permanecem fora da lista.
Ao longo das duas semanas, mais de cem documentos serão debatidos, com cada termo jurídico analisado em detalhe. O caminho positivo no início das negociações reafirma a expectativa de que Belém sedie decisões para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Negacionismo climático
Na abertura da COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou negacionistas e afirmou que é preciso acreditar na ciência.
— Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências da ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam ódio. Espalham o medo, atacam as instituições, a ciência e as universidades. — declarou em Belém, no Pará.
Lula também afirmou que as mudanças climáticas não são uma ameaça do futuro, mas "uma tragédia do presente". Como argumento, citou eventos recentes como o furacão Melissa e o tornado que atingiu o Paraná na última semana.



