
Ao final da primeira semana de negociações da COP30, o mundo volta ao tema de sempre: dinheiro. Quem vai pagar a conta?
A cada novembro, o abismo de interesses entre países ricos, que se tornaram desenvolvidos graças ao uso de combustíveis fósseis, e as nações em desenvolvimento ou empobrecidas, que mais sofrem os efeitos das mudanças climáticas.
Em cada um dos 145 itens que compõem a agenda da COP30, em Belém, de uma forma ou de outra, o dinheiro (ou a falta dele) aparece.
A COP da Amazônia começou com otimismo graças a uma articulação sem precedentes - e esperta - da diplomacia brasileira de retirar da agenda oficial quatro itens mais polêmicos:
- Qual é o montante do capital estatal no financiamento
- O aumento da ambição nas NDCs (metas nacionais de redução das emissões)
- A maneira de acompanhar o cumprimento das metas
- Se são permitidas as medidas unilaterais de barreiras ao comércio por razões ambientais, como faz a União Europeia.
Isso destravou a agenda. Em COPs anteriores, foram temas nevrálgicos que costumam bloquear o cronograma. Pela lógica brasileira, capitaneada pelo presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago, esses assuntos seriam negociados em paralelo. Isso porque há temas em que existe consenso. No total, seriam 145 que seguiriam com sinal verde, em uma jogada de mestre. E assim foi durante alguns dias.
O problema é que o paralelo pode começar a contaminar a agenda principal. E já há sinais. Os países africanos pedem mais tempo para se adaptarem às mudanças climáticas - ou seja, construírem infraestrutura mais resiliente aos eventos extremos.
Por quê? Porque não têm dinheiro. Já a Arábia Saudita, tradicional petromonarquia do Oriente Médio, como de hábito, busca interditar o debate tentando reabrir as discussões sobre o financiamento climático. Por quê? Por dinheiro. Não porque não tem, mas porque não quer gastá-lo.
A COP30 está apenas na metade. Há, ainda, uma semana para negociações, e divergências são comuns durante as COPs. Tudo pode ser resolvido - ou não. Lembrando que as decisões de cada conferência são tomadas por consenso - as 198 partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas precisam concordar com a conclusão.
Na semana que passou, estavam em Belém os negociadores. Na próxima, alguns líderes devem retornar - entre eles, os ministros. No caso do Brasil, anfitrião, a presença de Lula, muito provável, pode fazer a diferença.
A Cúpula dos Líderes deu um indicativo político e moral para a COP30. O que está em jogo não são apenas os indicadores burocráticos do documento que deve ser acordado em 21 de novembro. Há um aspecto simbólico, moral - e, por parte do Planalto, fundamental, em fazer da conferência um sucesso.





