
Após mais um dia de impasses em discussões, a COP30, em Belém, volta a exibir contradições entre países quanto a interesses e metas. A quinta-feira (13) terá eventos críticos como um debate sobre emissão de gás metano pelos países e um painel sobre adaptação das cidades, com a presença da secretária de Meio Ambiente do RS, Marjorie Kauffmann.
No terceiro dia do evento, na quarta-feira (12), o grupo africano, que representa 54 países do continente, solicitou dois anos adicionais para que seja possível negociar os indicadores de resiliência da chamada Meta Global de Adaptação. Trata-se justamente da medição de quanto a adaptação ao clima está contribuindo na vida das pessoas.
Essa proposta preocupa países e observadores porque pode atrasar a definição das metas. A diretora do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixadora Liliam Chagas, disse em coletiva de imprensa nesta quarta que esse trabalho vem sendo desenvolvido nos últimos anos por grupos e especialistas técnicos.
Em evento paralelo em Belém, o cacique Raoni Metuktire voltou a defender a preservação da Amazônia e criticou projetos de exploração de petróleo e mineração em terras indígenas.
Raoni afirmou ter tratado do tema recentemente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o francês Emmanuel Macron, pedindo que eles “não autorizem perfurações na floresta”.
Recursos
Se politicamente os entraves seguem marcando o encontro, houve também motivos para celebração por parte do governo brasileiro. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter captado R$ 7,8 bilhões com instituições financeiras de desenvolvimento europeias.
O valor será aportado no Fundo Clima, para apoiar projetos sustentáveis que buscam reduzir emissões de gases do efeito estufa. Ainda assim, o governo segue buscando convencer mais países a aderirem.
Desinformação
Outro destaque do terceiro dia foi o lançamento, pela Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima, de uma declaração assinada por 11 países.
Além de reconhecer as ameaças à integridade da informação sobre o clima, o documento também traz o comprometimento dos países nos ambientes internacional, nacional e local com a liberdade de expressão e de imprensa e a promoção de iniciativas e políticas que promovam informações confiáveis. A ideia é garantir recursos e força de trabalho para iniciativas que desmentem informações falsas e assegurar segurança para o trabalho jornalístico, por exemplo.
