Referência para o modelo utilizado na COP30, o sistema de compostagem da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) gerou a primeira leva de adubo no último mês. O equipamento foi instalado em novembro de 2024 na Central de Resíduos da instituição.
Após um representante da prefeitura de Belém (PA) visitar o projeto em Porto Alegre, o modelo foi replicado em tamanho maior na capital paraense, onde está sendo utilizado para dar destino aos resíduos gerados durante a conferência global. Ambos foram criados pela startup gaúcha Igapó, localizada no Tecnopuc.
Até o momento, a iniciativa na PUCRS já evitou o envio de 20 toneladas de resíduos para aterros.
O objetivo é desviar o lixo enviado a aterros e, com isso, diminuir a emissão de gases do efeito estufa. O processo também auxilia nos cuidados com a natureza na própria instituição.
— A nossa finalidade é reduzir a quantidade de resíduos que enviamos para o aterro sanitário. Então, fomos atrás de uma solução para isso. Uma solução foi a composteira. A PUCRS gera, trabalha o resíduo e devolve para a natureza em forma de nutriente — explica Izabel Brandão, assessora da Pró-Reitoria de Administração e Finanças e gestora do Núcleo de Sustentabilidade Ambiental.
O equipamento realiza o tratamento de resíduos orgânicos. A universidade coleta o material de três restaurantes localizados em seu complexo. São cerca de 200 quilos de restos de alimentos inseridos diariamente na composteira, além de outros materiais como folhas secas, que representam ⅕ do volume. Depois de aquecido e decomposto, o produto é transferido para um minhocário, onde as minhocas completam o processo e transformam o material em adubo orgânico. Por fim, é feita a raspagem do adubo já estabilizado.
Foram seis meses de abastecimento até o início da produção do fertilizante natural. Pequenas porções de adubo foram produzidas nos últimos meses para testes, mas a raspagem em maior escala foi iniciada recentemente e passará a ser realizada todas as semanas.
O material resultante é totalmente utilizado, sem perdas. A primeira leva será utilizada para jardinagem na universidade.
Embora tenha impacto indireto na diminuição das despesas com produtos de jardinagem, o principal ganho é o cuidado com o meio ambiente, conforme Izabel:
— A nossa preocupação realmente é cuidar do meio ambiente.
Central de Resíduos da PUCRS
Todos os resíduos orgânicos recicláveis, pilhas e baterias, resíduos perigosos e biológicos gerados na universidade vão para a Central de Resíduos, de onde são enviados a empresas especializadas. A infraestrutura de gestão ambiental funciona desde 2017.
O local é dividido em áreas de armazenamento temporário e triagem de recicláveis. O espaço conta com compactador, pesagem e containers para produtos específicos.
Recicláveis como madeira, papel, metal e vidro são separados e prensados. Outros materiais, como caliça, são colocados em contêineres. Todos são vendidos a empresas de transporte e destinação, gerando créditos a serem abatidos dos valores dos serviços.
Vinculada a uma instituição de ensino, a central também exerce um importante papel de educação ambiental e recebe a visita de escolas. A PUCRS também tem trabalhado para a conscientização dos colaboradores em relação à separação.
— Como nós engajamos o colaborador? Trazendo aqui. Abrimos um saco azul que seria só de reciclável e mostramos para ele o que tem dentro. Não tem só reciclável. O saco preto, se tiver uma garrafinha dentro, vai para o aterro mesmo assim, porque ninguém abre o saco preto. Lá é para ter resíduo de banheiro, coisas que tu não vais abrir. O nosso engajamento é com o exemplo: a PUCRS faz, e vocês têm de nos ajudar. Acho que essa é a nossa contribuição, porque quem aprende aqui vai fazer em casa também — destaca Izabel.
São as ações locais que geram impacto global, como salienta Jéssika Pila, assistente administrativa da Central de Resíduos da PUCRS:
— Pensamos que não, mas cada pequeno gesto local dentro de Porto Alegre, de uma universidade, acaba impactando em uma escala global, querendo ou não, também.



