
A semana final da COP30 começou agitada no cenário geopolítico da cúpula. Diante da proximidade do fim do evento, e da consequente necessidade de um consenso entre as partes, cresce a atenção sobre os focos de divergência.
A partir disso, a presidência da COP30 anunciou nesta segunda-feira (17) que montou uma força-tarefa entre os negociadores dos países participantes para acelerar as discussões. A ideia é definir um conjunto de medidas. O chamado Pacote de Belém deve ter aprovação em duas etapas, a primeira quarta-feira (19) e a segunda para ser concluída na sexta-feira (21), data final do evento.
Entre os pontos que poderiam ter decisões antecipadas estariam o Objetivo Global de Adaptação, o programa de trabalho sobre transição justa, financiamento climático e temas do Fundo Global para o Meio Ambiente.
Neste início de semana, o grupo dos países árabes e o bloco LMDC, que inclui nações como a China, a Índia e a Indonésia, pressionaram para que haja debates maiores sobre referências a combustíveis fósseis, tema caro ao evento e trazido no discurso de autoridades.
Nesta segunda-feira (18), o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu que a COP30 deixe como legado mapas para acelerar a transição energética. Alckmin defendeu ainda a necessidade de reduzir a pegada de carbono globalmente.
A expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarque nesta quarta-feira (19) em Belém para acompanhar as últimas negociações. A agenda não foi detalhada. Entre os temas urgentes com pendências nas discussões, estão financiamento climático, relatórios de implementação, que mostram o que cada país faz diante da crise climática, além de acordos bilaterais.
A pressão por resultados concretos cresce à medida que cientistas alertam para a urgência das ações. Em manifesto entregue às delegações, pesquisadores pedem um “roteiro claro” para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e deter o desmatamento, sob risco de mudanças irreversíveis na Amazônia e impactos severos em biomas como recifes de corais. O documento reforça que cada 0,1°C adicional amplia riscos de eventos extremos e perdas econômicas, exigindo adaptação como prioridade.


