
Com penas nas cores cinza e preta, com alguns detalhes em branco, uma harpia tornou-se a nova atração do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana. Trata-se da maior ave de rapina das Américas, também conhecida como gavião-real. O animal, do sexo masculino, já pode ser visto em um viveiro individual.
O zoológico promove uma votação para a escolha do nome da harpia (Harpia harpyja). Até este domingo (28), o público pode votar em um dos quatro nomes mais votados até agora — Apuã, Dante, Minuano ou Tupã. A votação pode ser realizada pelas redes sociais ou presencialmente no local. O nome vencedor será anunciado na segunda-feira (29).
O gestor do zoológico, Julio Rolhano, explica que o recinto onde a harpia foi instalada passou por adaptações. Isso porque, no passado, a ave sofreu uma descarga elétrica em uma rede de alta tensão, o que ocasionou severas lesões nas garras. Em função disso, a harpia não pôde retornar à natureza. Em poucos dias na nova moradia, seu espaço tornou-se um dos mais visitados pelo público.
— O pessoal já está vindo realmente para ver ela aqui — afirma o diretor Julio Rolhano.
Segundo o gestor, a harpia pode atingir cerca de 1,05 metro de altura e exibir envergadura de asas de até dois metros. Na natureza selvagem, alimenta-se de pequenos mamíferos e aves, podendo abater saguis e bichos-preguiça de maior porte. Pertencente à ordem dos Falconiformes, sua distribuição ocorre nas florestas tropicais da América do Sul e Central.
Não há certeza sobre a idade da ave, que chegou ao Rio Grande do Sul em 2020, vinda de Santarém, no Pará. Inicialmente, ficou em um criadouro de falcoaria, onde biólogos, cirurgiões, fisioterapeutas e veterinários tentaram sua reabilitação. No entanto, como ela não consegue mais abrir as garras, não tem condições de caçar para se alimentar, construir ninhos ou se defender.
— Não temos ideia de quantos anos essa harpia tem. Mas quando ela chegou aqui já era adulta — menciona.
A harpia é uma ave raramente avistada na natureza. No ano passado, um exemplar foi registrado por uma armadilha fotográfica no Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, no Noroeste do RS. Ela consta na lista de espécies ameaçadas do estado como “criticamente em perigo".
— A ação humana acaba fazendo com que um animal tenha que vir para um local de acolhimento. O zoológico não recebe animais que são retirados da natureza. É sempre algum com deficiência que não pode mais voltar à natureza — esclarece.
A bióloga Clarissa Bertoldo Bandeira explica a necessidade de adaptar o recinto devido às limitações físicas da harpia:
— Como há lesões nas patas, desenvolvemos rampas de acesso para ele conseguir se locomover e ter a melhor condição de vida nesse espaço.
A bióloga e veterinária Bruna Zafalon da Silva destaca que a ave precisa de cuidados veterinários. Na próxima semana, o espaço deverá receber grama sintética nas rampas para evitar lesões nas garras do animal.
— A harpia é uma espécie emblemática, digamos assim, entre todos os rapinantes (aves de rapina). Esse animal, em especial, é muito importante para o parque tendo em vista a educação ambiental. Ele passou por múltiplos traumas de interação com o homem — diz.
A harpia é alimentada com outras aves abatidas, como codornas. A alimentação ocorre pela manhã e à tarde. Em cativeiro, há registros de harpias que chegaram a viver até 40 anos.
Curiosidades sobre os nomes
- Apuã: nome de origem tupi-guarani que significa "monte" ou "montanha". Simboliza força, elevação e conexão com a natureza
- Dante: nome originário do latim que significa "duradouro", "constante" e "perseverante". Representa resiliência e força de quem atravessa o tempo
- Minuano: refere-se ao povo indígena Minuano. Também faz referência ao típico vento minuano gaúcho. É associado à força e à resistência
- Tupã: nome com origem no tupi-guarani. Significa "trovão". Para os indígenas, Tupã era considerado uma divindade associada ao trovão, à tempestade e à criação do mundo




