
Um dos dois cruzeiros contratados pelo governo federal para ampliar a oferta de hospedagem durante a COP30, em Belém (PA), não poderá receber delegações de 20 países.
A restrição ocorre no navio Costa Diadema, operado pela Costa Cruzeiros, devido a normas internacionais que impedem reservas por cidadãos de nações sem relações diplomáticas com os Estados Unidos — país sede da Carnival Corporation & plc, grupo controlador da empresa. As informações são do jornal O Globo.
A COP30 será realizada entre 10 e 21 de novembro. A expectativa é de que Belém receba cerca de 50 mil pessoas.
Segundo a Secretaria Extraordinária da COP30, a limitação não decorre de decisão do governo brasileiro, da Embratur ou da empresa contratada, mas sim de exigências externas.
A medida afeta países das Américas, Ásia e, principalmente, da África, todos membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre os atingidos estão:
- Cuba
- Haiti
- Irã
- Coreia do Norte
- Chade
- Sudão
- Somália
Brasil diz que nenhum país será prejudicado
Apesar da restrição, o governo afirma que nenhuma delegação será prejudicada. Além do Costa Diadema, o plano de hospedagem inclui o navio MSC Seaview — sem limitações diplomáticas —, além de hotéis e imóveis cadastrados na plataforma oficial do evento.
A contratação dos navios foi concluída em julho como resposta à alta nos preços das diárias em Belém e à preocupação com a qualidade das acomodações.
A medida prevê cerca de 3,9 mil cabines, com capacidade para mais de seis mil pessoas. O governo ofereceu uma garantia de R$ 259 milhões, a ser repassada apenas em caso de ociosidade das cabines.
Chamamento público
As embarcações ficarão atracadas no Terminal Portuário de Outeiro, que passa por revitalização. A seleção das operadoras foi feita por chamamento público, com intermediação da Qualitours e participação da Embratur e da Secretaria da COP30.
O site da Qualitours confirma as restrições e detalha a estrutura do Costa Diadema, que possui 1.862 cabines, 11 restaurantes, 12 bares e capacidade para até 4.947 passageiros.
O senador Beto Faro (PT-PA) pediu explicações ao Comitê Nacional da COP30. Em nota, ele alegou que a situação levanta questionamentos sobre soberania nacional:
"É um constrangimento para as delegações que virão à conferência na Amazônia paraense, e por ventura venham a buscar estas acomodações. Um momento que deveria simbolizar inclusão e diálogo global".
Acesso aos cruzeiros será em duas etapas
A ocupação dos navios será feita em duas etapas: primeiro, países em desenvolvimento terão acesso a diárias de até US$ 220; depois, demais nações poderão reservar por até US$ 600. Chefes de Estado ficarão hospedados em hotéis próximos ao local do evento.
A Secretaria Extraordinária da COP30 afirma que a prioridade atual são as delegações oficiais, mas que estuda alternativas de hospedagem acessível para imprensa e observadores independentes.

